quinta-feira, 5 de abril de 2007

Que país é esse? Terra de sem lei?

Foto: Internet...


Por Cecília Olliveira
Bom. Esta é a imagem do dia. Se é que podemos chamá-la assim, uma vez que o tem do termo é de congratualação. Quantas e quantas vezes ouvimos falar que a fila para se conseguir uma consulta no serviço público é de meses? Que para dar entrada em papéis de INSS é uma luta? È complicado...

Hoje as pessoas saem da faculdade e se enfurnam em cursos preparatórios para passarem em concursos. Candidatos cada vez mais “preparados” lotam salas e estudam dia e noite em busca da tão famigerada estabilidade. Pois bem. Aqueles que já garantiram seu lugar a sombra se comportam desta leviana maneira.

Ontem pela manhã quando escutava a rádio Itatiaia (minha preferida) ouvi que o meu Presidente não permitiu que os controladores de vôo fossem presos por terem desacatado as ordens da hierarquia. “Um sargento não discute ordem com Brigadeiro. Ele cumpre as ordens ou vai preso”. Eu ouvi isso na rádio. De um professor de engenharia da aviação, ex-militar. E pelo jeito as palavras se perderam nas ondas do rádio...

Ministros desautorizados, leis quebradas, hierarquias invertidas pelas mãos de um ex-sindicalista. Me pergunto: Onde vamos parar?

Os indivíduos passam meses estudando a fio para garantir um emprego e público e prestam um serviço mais ou menos a sua Nação. Se bem que elas não tem noção do sentido desta palavra...

Solidariedade, compaixão, amor, amizade, união. Palavras que estão fora de moda num tempo em que a modernidade gelada é a razão.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Síndrome de Odete Roitman

Por Cecília Olliveira
“A jovem e ambiciosa Maria de Fátima (Glória Pires) tem a certeza de que a honestidade, no Brasil, não vale nada. Sem pensar duas vezes, ela vende a única propriedade da família, uma pequena casa em Foz do Iguaçu, deixando a mãe, Raquel (Regina Duarte), no olho da rua. Sem dar satisfações, muda-se para o Rio de Janeiro, com o intuito de ganhar a vida como modelo. Na cidade grande, envolve com o mau-caráter César (Carlos Alberto Riccelli), que a incentiva a conquistar Afonso Roitman, filho de Odete Roitman (Beatriz Segall) e dono da grande fortuna dos Roitman ...”


E a grande pergunta feita em 6 de janeiro de 1989: QUEM MATOU ODETE ROITMAM?

O país parou, fez apostas, rifas e sorteios. Todos queriam saber quem matou a poderosa Odete Roitman. Te a Maggi, fabricante de caldo de galinha, promoveu um concurso para premiar quem adivinhasse a identidade do criminoso.
Como se não bastasse, isso aconteceu ontem, mais uma vez. Odete foi a bola da vez em 89. E desde 2000 o Brasil pára, pelo menos 2 vezes por ano, uma para a final da novela das oito e outra para o “grande” BBB.

E o Brasil amanhece depois de mais uma final Big Brother Brasil. Desta vez, a enfadonha 7º Edição. De acordo com as estatísticas globais proferidas pelo (ex) brilhante jornalista Pedro Bial, as ligações ultrapassam a casa dos seis zeros.



Um país parado diante das telas falantes às 23 horas de uma terça feira em um país de operários que acordam, muitas vezes, quando ainda é noite para ir de encontro ao tão suado, e cada dia mais escasso, emprego.

Sinceramente, eu não entendo. Quem ficou acordado para ouvir o plantão no dia do julgamento de Suzane Von Richtofen? João Hélio? Quem? Quem? No máximo os familiares, promotores e ONG’s diretamente interessadas.

Todos tiveram quase três meses para decorar os números de telefones para dar seu voto. Mas, você conhece o número 0800 619 619 ? E o 0800 612 211? Não? Eles são respectivamente os números do Disque-Câmara e do Disque-Senado. E mais uma vez, sinceramente, não quero dizer o por que ligar para estes números.

Não que isso não me preocupe, mas me preocupo mais quando ouço o (ex) excelente jornalista, bradr em cadeia nacional, em horário nobre: VAMOS DAR UMA OLHADA NA CASA MAIS VIGIADA DO BRASIL E FALAR COM NOSSOS HERÓIS!

MEU DEUS!!!!! Se bundas falantes são heróis, realmente esta é uma terra de índios! Claro, sem ofensa aos índios, dignos de todo o respeito por parte de toda a nação.

Heróis... O que vem a ser um herói?

Bom, de acordo o Dicionário Priberam, herói é um homem extraordinário pelas suas qualidades guerreiras, triunfos, valor ou magnanimidade; ou protagonista ou personagem principal de uma obra literária; ou a figura mais exaltada em um poema épico; ou nome que os Gregos davam aos grandes homens divinizados; ou homem notável pelos seus desmandos, que se envolveu em aventuras e escândalos.

Algum dos participantes tinha alguma, sequer uma, destas qualidades? Não que eu os desmereça. Longe disso. Mas daí a serem chamados heróis em cadeia nacional? Não dá...

Pensemos. Sendo a ligação do “0300” a R$ 0,30. Sendo 50.000.000 de ligações, os brasileiros gastam por paredão, cerca de 15 milhões... Por semana! Porque as pessoas não tem esta mesma disposição para ajudar quem realmente precisa?

Foto: www.msf.org
Por que ninguém fala do trabalho dos médicos sem fronteiras que abdicam de sua vida “glamourosa” e rumam a países desconhecidos para prestar serviços e doar amor a quem nunca viram?

Por favor, vamos mudar de discurso. Enquanto é tempo...

terça-feira, 3 de abril de 2007

Desdém Social

Foto: www.las.inpe.br



"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...”

Martin Niemöller, 1933, símbolo da resistência aos nazistas.



Um texto de 1933.... Há mais de 70 anos o desdém social já era conhecido como um câncer... Em Sociologia, uma sociedade é um conjunto de pessoas que compartilham propósitos, preocupações e costumesinteragindo entre si e assim, constituindo uma comunidade. Na Biologia, sociedade é um grupo de animais que vivem em conjunto, tendo algum tipo de organização e divisão de tarefas.


Então paro e pergunto: Quem está errado? Por que a divergência é enorme... Ou os livros estão errados ou nós estamos vivendo de modo errado. Creio que é a segunda opção, uma vez que somos a própria empiria das pesquisas. Estamos andando na contramão! Não percebem?

Parodiando o pastor protestante Martin Niemöller, símbolo da resistência nazista, Cláudio Humberto escreve em 09 de fevereiro de 2007. "Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles; Depois fecharam ruas, onde não moro;Fecharam então o portão da favela, que não habito;Em seguida arrastaram até a morte uma criança,que não era meu filho..."
Torno a me perguntar: Onde estamos abalizando nossas ações? Onde está nosso sentimento de coletividade? Se, se isolar resolvesse o problema da criminalidade, hoje não teríamos mais nenhuma causa pendente! Isso, uma vez que a lei é “olho por olho, dente por dente”.



"Primeiro levaram os negros.
Mas não me importei com isso.
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários.
Mas não me importei com isso.
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis.
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados.
Mas como tenho meu emprego, também não me importei.
Agora estão me levando,
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém,
Ninguém se importa comigo.

É PRECISO AGIR!"

Bertold Brecht (1898-1956)


Foto: sol.sapo.pt

É preciso agir? Este chamado é do século passado! O que fizemos desde então até hoje? O que?!? Nada! Ou melhor, erguemos muralhas, para nos isolar de nossos semelhantes. Grades? Inúmeras! Para nos cercar de todo o “mal” das ruas e para isolar os “diferentes” em masmorras... Em pleno século 21! Usamos a tecnologia para criar as melhores armas, para usá-las contra nossos irmãos. Há algo errado, não? Brecht poderia ouvir seus versos ecoando... Dezenas de anos e a mesma vertente...

Um passeio com Maiakovisky

Na primeira noite
Eles se aproximam
E colhem uma flor
De nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
Já não se escondem:
Pisam as flores,
Matam nosso cão,
E não dizemos nada.
Até que um dia,
O mais frágil deles,
Entra sozinho em nossa casa,
Rouba-nos a lua, e,
Vonhecendo nosso medo,
Arranca-nos a vozda garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.



Maiakovisky. Poeta russo do início do século passado que parece ter vivido no Brasil de ontem. Como o prelúdio de um livro de contos tétricos ele descreve o hoje com a perfeição do ontem. Século passado. Estas poderiam ser notícias caducas. Mas não o são! Estes são os versos apocalípticos contados e recontados como o cumprimento de uma profecia infeliz.


E então? Onde está o erro? Pode parecer duro, mas o erro é meu. O erro é seu. O erro é nosso. O erro é de todos aqueles que se calaram ao som silencioso de suas hipocrisias.
È isso o máximo que o modelo avançado de sociedade conseguiu ser. Um bando de hipócritas enjaulados em sua vidinha de contos fadas, onde todo mundo faz de conta que as coisas estão em ordem e que são felizes assistindo a fervorosos “debates” de (ex) modelos em talk shows pobres como suas pobres almas.

Hoje. O hoje a Deus pertence. O amanhã também. Mas não vou jogar a responsabilidade na Supremacia Divina e ser omissa.



Foto:www.msf.org.br


Deus salve esta nação da podridão de sua Negligência!

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