sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Os macabros números da violência e o adeus a Rafael


Por Repórter de Crime

ESTATÍSTICA OFICIAL DO INSTITUTO DE SEGURANÇA PÚBLICA

MORTES VIOLENTAS

AUTO DE RESISTÊNCIA
2007 - 1.330
2008 - 1.137
2009 (Janeiro-Setembro) - 805
TOTAL (Janeiro 2007-Setembro 2009) - 3.272

HOMICÍDIO DOLOSO
2007 - 6.133
2008 - 5.717
2009 (Janeiro-Setembro) - 4.460
TOTAL (Janeiro 2007-Setembro 2009) - 16.310

POLICIAIS MORTOS
2007 - 32
2008 - 26
2009 (Janeiro-Setembro) - 26
TOTAL (Janeiro 2007-Setembro 2009) - 84

LATROCÍNIO
2007 - 192
2008 - 235
2009 (Janeiro-Setembro) - 162
TOTAL (Janeiro 2007-Setembro 2009) - 589

TOTAL DE MORTES VIOLENTAS (JANEIRO 2007 - SETEMBRO 2009) - 20.255

Recorte e guarde. O movimento Rio de Paz acertou o prognóstico de mais de 20 mil mortes violentas em mil dias, a partir de 2007. A ONG - que luta pela redução de homicídios no país e, sobretudo, no Estado do Rio, onde a taxa de homicídios dolosos é de 39 por cem mil habitantes - tem levantado uma bandeira que infelizmente ainda não encontrou apoio em muitos setores da sociedade fluminense. Tudo porque a maioria das pessoas não quer sair da sua zona de conforto. Prefere deixar tudo como está a menos que alguém próximo corra o risco de ser a próxima vítma. Infelizmente ninguém está livre.

Segundo relatório do Instituto de Segurança Pública (ISP), responsável pela produção das estatísticas de criminalidade do Estado do Rio, 'dos quatro indicadores estratégicos estabelecidos pelo governo do estado (roubo de rua, latrocínio, roubo de veículo e homicídio doloso), os três primeiros delitos tiveram os objetivos alcançados e ultrapassados. A exceção foi o delito homicídio doloso." Justamente o que diz respeito ao bem mais precioso, a vida. Os roubos de rua caíram 7,2% em relação a setembro do ano passado, o número de latrocínios 28% , os de roubo de veículos 25,1% e os de homicídio doloso menos duas vítimas.

Para que a gente perceba um pouco da dor de gente que está no meio do fogo cruzado, assistam ao vídeo feito pelo líder do Rio de Paz, Antonio Carlos Costa, que foi ontem ao enterro do estudante Rafael Rocha Ribeiro, de 15 anos, vítima de uma bala disparada no tiroteio entre policiais do Bope e traficantes da Favela Mandela III, em Manguinhos. Tudo isso a menos de uma semana do Dia de Finados, 2 de novembro, quando a tradição católica leva milhares de pessoas aos cemitérios da cidade. O título do vídeo é A agonia dos sem voz. Tire as crianças da frente do computador porque as cenas são fortes.



Vídeo Riodepaznews/ Antônio Carlos Costa

Estudo revela que Justiça no Brasil é desigual e está como há 100 anos


Documento apresentado por associação de juízes mostar que quanto menos desenvolvido o país maior é o gasto com o Judiciário

Do R7

Estudo encomendado pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) revela que os Estados com pior posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) são os que mais gastam, proporcionalmente, para a manutenção do Judiciário. Eles destinaram 1,19% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008 para sustentar a estrutura da máquina e quadro de pessoal. Os mais ricos consumiram 0,61% dos respectivos PIBs. A coordenadora da pesquisa, Maria Tereza Sadek, diz que a Justiça é desigual no país.

- O Judiciário funciona hoje como funcionava havia 100 anos.

No quadro de magistrados, o levantamento aponta grandes diferenças. Os Estados com maior arrecadação e mais desenvolvidos apresentam entre 8,58 e 7,25 juízes por 100 mil habitantes. Já os Estados mais pobres contam com 5,26 a 6,64 magistrados a cada 100 mil habitantes, afirma o estudo, amparado em dados oficiais repassados por todos os tribunais do País ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Professora da USP (Universidade de São Paulo), que há 19 anos mergulha no Judiciário e suas peculiaridades, Maria Tereza disse que o Judiciário continua se movendo e se estruturando como no passado distante. Segundo ela, cartórios que antigamente recebiam 20 processos, atualmente recebem 2 mil.

- O problema é que hoje tramitam no País 70 milhões de processos.

O trabalho coordenado por ela dá sustentação à campanha inaugurada ontem pela AMB por uma gestão democrática do Judiciário. O juiz Mozart Valadares, presidente da entidade, defende transparência na aplicação dos recursos e o estabelecimento de prioridades dos gastos e investimentos para melhorar a Justiça no país.

- É o caminho para melhorar a prestação jurisdicional e acabar com a morosidade.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Informação: faca de dois gumes

Por Cecília Olliveira

O Rio de Janeiro, mais conhecido como cidade maravilhosa, conhece também o lado não tão maravilhoso da vida e da administração pública. Há anos é palco de uma guerra civil velada. O poder público, que enquanto pôde, negou a existência do crime organizado, agora não admite que não está preparado para enfrentar as conseqüências da omissão e tampouco assume que não existe um planejamento efetivo e eficaz de segurança pública que realmente assegure ao cidadão o direito de ir e vir, vivo. Mas isso não é privilegio do Rio de Janeiro. É um problema nacional.

Sem planejamento, o que resta é apagar incêndios. E assim tem sido. Ações descoordenadas, mandos e desmandos, disse-me-disse, despreparo. Este é o resultado da ausência de gestão e coordenação de crise, que claro, não estão previstas em um planejamento estratégico de pequeno, médio e longo prazo, já que ele não existe.


Quando falo despreparo, não me refiro essencialmente à polícia, mas aos seus gestores. Há laranjas podres nas polícias, há. Assim como em qualquer profissão. Mas a polícia faz
o que pode, com o que tem. Há patentes na cidade maravilhosa que ganham R$ 800 por mês! Você arriscaria sua vida por menos de 2 salários mínimos? A bomba explode, e vem as noticias: Estado terá mais recursos federais para Segurança. Não é uma questão de liberar mais ou menos recursos. Verdade seja dita: segurança pública não é prioridade. Um exemplo claríssimo: A CCJ reativará a subcomissão de Segurança Pública. Se segurança fosse prioridade, a subcomissão não seria desativada.

Saiba mais:
Despreparo que vem de cima

A prova maior disso vem pelo Twitter. O senador Delcídio Amaral (PT/MS) publicou recentemente em seu perfil no microblog: “Acredito que o mais sensato seria espalhar os presos de alta periculosidade entre os 4 presídios federais e não concentrá-los no MS”.

Quando vi a declaração, pensei: “Como são preparados nossos políticos!” O fato é que nossos representantes são especialistas em generalidades. Será que o honroso senador não leu “CVxPCC a Irmandade do Crime, o jornalista Carlos Amorim? Não leu PCC: A Facção, da também jornalista Fátima Souza? Vácuo do Poder e o Crime Organizado Brasil, de Edemundo Dias? Não... tenho certeza não!

Sabe porque? Por que esta básica literatura explica que o que era um fenômeno local, uma criminalidade ‘estadual’, ganhou dimensões nacionais porque as autoridades tiveram um insigth e pensaram: “Castigo é deixar esse sujeito longe da família”. Mas claro, não pensaram que estavam promovendo um intercambio de criminosos. O PCC, por
exemplo, que nasceu em São Paulo, outro dia coordenou ação na Bahia, lembram? O crime organizado foi pulverizado.

Não adianta bloquear sinal de celular. O que tem que ser feito é não deixar entrar celular nas cadeias. Não tem que liberar criminosos de alta periculosidade para semiliberdade, tem é que mudar a legislação para que eles cumpram pena completa. Se a penitenciaria é de segurança máxima, não precisa temer. Não é senador?
Não porque se preocupar, como no outro post: "Dá pra entender? Os 10 presos perigososbarbarizaram o Rio separados em 3 presídios. Imagine o que farão no MS?"
Não adianta querer legislar sobre o que não se entende senhor senador. O senhor, como pessoa pública e formadora de opinião, precisa ter certeza do que fala. E você eleitor, precisa ter certeza de onde deposita seu voto. Com uma dessa, você, morador do Mato Grosso do Sul (ou do Acre), coloca sua vida em risco.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

PF deflagra operação para desarticular quadrilha de narcotraficantes internacionais

Priscila Robini, Do Portal Uai

Na manhã desta quarta-feira, a Polícia Federal deu início à Operação Triângulo. O objetivo da operação é desarticular uma quadrilha de narcotraficantes internacionais que atua em Minas, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia. São cumpridos 44 mandados de prisão temporária e 40 mandados de busca e apreensão.

Em Minas eles serão cumpridos em Uberlândia, Ituiutaba, Araguari, Belo Horizonte, Montes Claros, Vazante e Unaí. Em Goiás, nas cidades de Goiânia, Caldas Novas e Anápolis. No Mato Grosso, em Tangará da Serra e Cáceres. Na Bahia, em Salvador e no Mato Grosso do Sul, em Campo Grande e Ponta Porã.

A quadrilha é especializada na compra de cocaína e atuava na fronteira do Brasil com Paraguai, Bolívia e Colômbia, para abastecer os traficantes dos cinco estados brasileiros. As investigações começaram em dezembro de 2008 com uma prisão feita pela PF de Uberlândia, onde foram apreendidos 89 Kgs de cocaína e 20 Kgs de maconha, além de carros de luxo.

Segundo a polícia, essa é a maior operação já realizada pela Polícia Federal de Minas Gerais contra o trafico internacional de drogas, no estado. Conta com a participação de 210 policiais federais dos cinco estados envolvidos, sendo que de Minas Gerais são 140 policiais federais em ação. Os presos serão indiciados pelos crimes de Tráfico Internacional de Drogas e Associação para o Tráfico.

As dez cidades onde mais se mata


Ciudad Juárez, no México, lidera, seguida por Nova Orleans. Rio está fora

João Ricardo Gomes, do O Dia

Ao contrário do que muitos pensam, nem o Rio de Janeiro, nem qualquer outro município brasileiro está no ‘top 10’ das cidades em que mais se mata no mundo. É o que indica levantamento da ONG mexicana Consejo Ciudadano para la Seguridad Pública (CCSP), que elegeu o município mexicano de Ciudad Juárez, atormentado pelos cartéis de drogas locais, como o local onde mais há assassinatos.

A pesquisa levou em conta o número de homicídios dolosos (com intenção de matar) por grupo de 100 mil habitantes. Ciudad Juárez tem índice de 132 mortes por 100 mil moradores. A cidade fica perto da fronteira com os EUA, e é o epicentro da guerra entre os traficantes mexicanos pelo envio de drogas ao país vizinho.

Para se ter uma ideia, dos cerca de 6 mil homicídios em todo o México em 2008, 1.600 aconteceram em Juárez. A situação não dá sinais de melhora: até este mês, 2009 já registra mais de 2 mil homicídios. Só na quinta-feira foram 22 assassinatos.

Além da quantidade de crimes, a crueldade dos bandidos assusta: mês passado, 18 pacientes de clínica de reabilitação de drogas foram fuzilados.

Em segundo lugar na relação do CCSP está Caracas, na Venezuela, com 96 homicídios para cada 100 mil habitantes. A cada fim de semana, a capital registra entre 30 e 50 assassinatos, citou o jornal ‘El País. Nova Orleans, nos EUA, é a terceira colocada com 95 homicídios por 100 mil habitantes.

Apesar de nenhuma cidade brasileira estar na lista, o País tem cerca de 48 mil homicídios por ano, uma das taxas mais altas do mundo. No Rio, o índice é de 34,5 por 100 mil. Em 2008, a pesquisa ‘Mapa da Violência’ concluiu que há cidades brasileiras com índices acima de 90 por 100 mil habitantes.

O RANKING


1 º CIUDAD JUAREZ, México, 132 homicídios por 100 mil habitantes. Além do México, os EUA tiveram mais de uma cidade indicada.
2º CARACAS, Venezuela, 96
3º NOVA ORLEANS, EUA, 95
4º TIJUANA, México, 73
5º CIDADE DO CABO, África do Sul, 62
6º PORT MORESBY, Papua Nova-Guiné, 54
7º SAN SALVADOR, El Salvador, 49
8º MEDELIN, Colômbia, 45
9º BALTIMORE , EUA, 45
10º BAGDÁ, Iraque, 40

CCJ reativará Subcomissão de Segurança Pública


Gorette Brandão e Denise Costa da Agência Senado


O presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), senador Demosténes Torres (DEM-GO), anunciou nesta quarta-feira (28) a reativação da Subcomissão de Segurança Pública, ligada à CCJ. Com nove membros titulares e igual número de suplentes, a subcomissão deve examinar medidas que possam contribuir para a contenção do quadro de criminalidade no país, apontado na reunião como problema de extrema gravidade.

Antes da comunicação, foi lido na CCJ relatório a projeto que estabelece regras mais rigorosas para a concessão de progressão de penas. Devido a pedido de vista, a decisão sobre a matéria ficou para a próxima semana. Na situação atual, como observado, condenados de alta periculosidade ganham rapidamente direito de cumprir penas em regime semi-aberto, aproveitando a concessão para fugir e voltar ao crime. Como observou Demosténes, o número de mortes violentas alcançou patamar inaceitável.

- Mata-se mais no Brasil do que em países em guerra. O conflito no Iraque provocou até hoje algo em torno de 5 mil mortes. Aqui, 45 a 50 mil pessoas são assinadas por ano. Temos que dar nossa contribuição para mudar isso - disse.

Para compor a comissão, observando a proporcionalidade partidária, incluindo os blocos, ele indicou como membros titulares os seguintes senadores: Aloizio Mercadante (PT-SP), César Borges (PR-BA), Pedro Simon (PMDB-RS), Renan Calheiros (PMDB-AL), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Marconi Perillo (PSDB-GO). Romeu Tuma (PTB-SP) e Osmar Dias (PDT-PR) foram indicados em reconhecimento à dedicação ao tema da segurança pública.

Como suplentes, Demosténes indicou Serys Slhessarenko (PT-MT), Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), Kátia Abreu (DEM-TO), Antonio Carlos Junior (DEM-BA), Francisco Dornelles (PP-RJ), Wellington Salgado (PMDB-MG), Alvaro Dias (PSDB-PR), Gim Argello (PTB-DF) e Flávio Arns (PT-PR).

Na condição de integrante de maior idade, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) convocará reunião para que sejam eleitos o presidente e vice-presidente da subcomissão.

Temporão reconhece falhas e anuncia investimento no combate ao crack


Daniella Clark Do G1

Serão investidos R$ 110 milhões no atendimento a usuários da droga.
Segundo Temporão, número de leitos será ampliado em 2,5 mil no país.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou nesta quarta-feira (28) que serão investidos R$ 110 milhões em atendimento a usuários de crack em todo o Brasil. Segundo o ministro, o número de leitos será ampliado em 2.500 em hospitais gerais, com capacidade para atender até 12 mil dependentes químicos.

“Esse é um problema gravíssimo que afeta a sociedade brasileira, nós temos que enfrentá-lo. É um problema complexo porque nós estamos lidando aí também com tráfico e criminalidade”, afirmou Temporão, que participou no Rio da abertura do Fórum Global de Atendimento ao Trauma, promovido pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O ministro, no entanto, não deu detalhes de quando seriam disponibilizados esses leitos e de como essa verba seria repassada aos estados. Ele admitiu que hoje há falhas no atendimento.

“Nós reconhecemos que existem falhas, nem todas as pessoas que precisam de atendimento conseguem atendimento no tempo que gostariam de ter, mas quero dizer que esse plano que está sendo lançado e implementado vai trazer resultados”, afirmou.

Droga devastadora


“São mais de R$ 100 milhões, 2.500 leitos em hospitais gerais e uma capacidade para atender e acolher até 12 mil usuários de crack, que é um problema sério de dependência que devasta a pessoa e que afeta hoje principalmente as grandes cidades brasileiras”.

De acordo com a psiquiatra Analice Gigliotti, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead) e chefe do Setor de Dependência Química da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, cerca de 40% dos usuários são pessoas de classe média.

Conforme estudos científicos, ao ser fumado, o crack atinge o cérebro em cerca de oito segundos, após passar pelos pulmões e pelo coração. Vicia com apenas três ou quatro doses. O efeito dura de um a dois minutos.

A droga produz insônia, falta de apetite e hiperatividade. O uso prolongado causa sensação de perseguição e irritabilidade, o que leva o usuário a agir de forma violenta.

Investigações


Segundo investigações da Delegacia de Combate às Drogas da Polícia Civil (Dcod), o crack é vendido nas maiores favelas e morros do Rio, como Jacarezinho, conjuntos do Alemão, Maré e Manguinhos (subúrbio), Macacos e Mangueira (Zona Norte), Rocinha, Santo Amaro (Zona Sul) e São Carlos (Centro).

De acordo com a polícia, o crack é produzido em laboratórios clandestinos nessas localidades.

Estado terá mais recursos federais para segurança

Da Comunidade Segura

Depois de duas horas de reunião, no Palácio Laranjeiras, com a participação da cúpula de segurança dos governos federal e estadual, o governador Sérgio Cabral e o ministro da Justiça, Tarso Genro, anunciaram nesta terça-feira uma série de decisões para reforçar o combate à criminalidade no Estado do Rio. Sem revelar valores, sob alegação de que antes as medidas serão submetidas à apreciação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os dois garantiram que com esse reforço as metas de segurança para as Olimpíadas serão cumpridas, ficando como um legado real para a população fluminense.

Entre as medidas anunciadas, haverá um aditamento ao convênio entre os dois governos que trata do combate às milícias, estendendo equipamentos e recursos para o enfrentamento ao tráfico de armas e drogas no estado; aumento e velocidade na transferência de recursos federais para acelerar a implantação de Unidades de Policia Pacificadora (UPPs) no Grande Rio; antecipação de dezembro para este mês dos recursos previstos para este ano e ainda não repassados para o estado; e adição de recursos específicos no orçamento do Ministério da Justiça para o próximo ano, além dos já acertados pelo governo federal para a segurança do Estado do Rio, visando cumprir as metas estabelecidas para as Olimpíadas de 2016.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Reajuste de chorar


Por Flávio Bolsonaro, do Jornal Extra

Com o reajuste de 5% proposto por Sérgio Cabral a policiais, bombeiros e inspetores penitenciários, um soldado da PM, por exemplo, receberá R$ 1,51 a mais por dia. E a penúria não escolhe grau hierárquico, pois para um coronel do BM esse valor chega a R$ 12,27.

O impacto do reajuste a esses profissionais, incluindo as gratificações, é de R$ 60 milhões este ano, e de R$ 296 milhões em 2010, incluindo ativos, inativos e pensionistas, num orçamento previsto de R$ 46 bilhões para o próximo ano. Ou seja, a proposta é investir mais 0,64% do orçamento no principal fator da segurança pública: o recurso humano.

Numa tentativa falha de atenuar a insatisfação, o governo cria gratificações de R$ 350, que atingem somente alguns ativos que preencham os vários requisitos previstos nos decretos, condicionados a avaliações periódicas. Na prática, dificuldades logísticas notórias inviabilizariam essas avaliações, e muitos feridos em combate já não poderiam se habilitar a recebê-las. Além disso, ocorreriam inversões hierárquicas fatais na cadeia de comando e, de quebra, somente os soldados continuariam fazendo jus à gratificação federal de R$ 400 do Pronasci, pois os cabos ultrapassariam o teto de R$ 1.700, já descontado o auxílio-moradia, para percepção da mesma, e perderiam o direito.

É válido o incentivo, por intermédio de gratificações, para promover a capacitação e qualificação. Mas não é saudável criá-las no momento em que se discute reajuste salarial, pois o raciocínio deve ser universal e irrestrito. Apresentei emenda ao projeto de lei dos 5% para que seja criada a gratificação de atividade de risco, no valor de mil reais, para todos os ativos, inativos e pensionistas. Seria uma alternativa mais justa.

Se o estado pagasse uma remuneração decente a esses profissionais, de maneira a não haver mais a necessidade de buscarem o "bico", seria tranquilamente possível implantar uma jornada de trabalho de 6 ou 8 horas diárias, o que triplicaria o efetivo da PM nas ruas todos os dias, ou ainda, permitiria que policiais civis fizessem investigações mais céleres e de forma contínua, reduzindo a sensação de impunidade e, por consequência, os índices de criminalidade.

O governador está conseguindo algo inédito na história do Rio de Janeiro: unir, pela repugnância a sua pessoa, todas as categorias do funcionalismo público.

*Flávio Bolsonaro é deputado estadual pelo PP

Ministério tem projeto para reduzir benefícios e aumentar penas de bandidos mais perigosos


Do O Globo

O crescente número de presos perigosos que se aproveitam do benefício da progressão de regime para fugir fez o governo federal mudar a tendência de abrandamento das leis penais. O ministro da Justiça, Tarso Genro, revelou que o governo está preparando um projeto para aumentar o peso das punições contra o narcotráfico e, ao mesmo tempo, endurecer as regras de progressão de regime. A ideia é evitar que grandes traficantes possam passar com facilidade para o regime semiaberto de prisão.

- Estou trabalhando para remeter um projeto ao Congresso até o final do ano. Eu defendo, por exemplo, que o microtraficante tem que cumprir penas alternativas, não ser jogado numa cadeia. E o regime de progressão para os traficantes verdadeiros e para os criminosos organizados deveria ser muito menos liberal do que é. Essas penas deveriam ser aumentadas - disse Tarso.

Nesta terça-feira, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Tarso terá um encontro com o governador Sérgio Cabral para fazer um balanço das medidas adotadas pelos dois governos na segurança pública do Rio. O ministro pretende ouvir os pleitos do estado e redefinir novas linhas de atuação. Segundo Tarso, não faltarão recursos para novos projetos. Ele rebateu as acusações do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, de que o governo federal e a Polícia Federal são omissos no combate ao tráfico no Rio.

Cabral descartou a possibilidade de pedir ajuda das Forças Armadas contra a criminalidade.

- As Forças Armadas já deixaram bem claro que não aceitam esse papel de presença física nas ruas - disse, elogiando a ajuda do governo federal à segurança pública do Rio.

sábado, 24 de outubro de 2009

Ranking evidencia falhas no controle de armas


Do Portal Comunidade Segura e Fórum Brasileiro de Segurança Pública

O Brasil precisa avançar muito no controle de armas de fogo e munição para obter resultados efetivos no combate à violência. Essa é a principal conclusão do Ranking dos Estados no Controle de Armas, divulgado na última semana pela ONG Viva Rio e pela Subcomissão de Armas e Munições (Subcom) da Câmara dos Deputados. Os números ainda não são definitivos, mas mostram que, independentemente da classificação, as unidades da federação ainda estão longe do ideal.

A pesquisa está sendo financiada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça, interessada no mapeamento das deficiências no controle de armas para orientar seus investimentos nessa área estratégica para o combate ao tráfico ilícito de armas.

Distrito Federal (100%, usado como referência), Rio de Janeiro (95,5%) e São Paulo (93,4%), foram os melhores coloca
dos no ranking, enquanto Amapá, Sergipe e Rondônia empataram na última colocação, com 0%. A expectativa é que o ranking preliminar estimule os estados a colaborarem com o estudo definitivo, que será divulgado em fevereiro de 2010. “Traçaremos um paralelo com os padrões internacionais de controle, e aí se poderá ter uma idéia do quanto estamos atrasados”, explica Antônio Rangel, coordenador do Programa de Controle de Armas do Viva Rio.

Dentre os principais critérios usados para a elaboração deste primeiro ranking, destacam-se a quantidade de armas ilegais apreendidas nos últimos 10 anos, o montante de armas recolhidas nas campanhas de desarmamento, o número de armas recadastradas e a qualidade das informações disponibilizadas pelos estados sobre as armas que circulam em seu território. Os dados começaram a ser apurados em 2005, quando a Câmara dos Deputados pediu a colaboração das secretarias de Segurança Pública e dos Tribunais de Justiça durante a CPI do Tráfico de Armas.

Um questionário elaborado pelo Viva Comunidade tornou a pesquisa ainda mais abrangente, pois traçou um perfil do controle de armas nas unidades da federação. O estudo mostra que muitos estados enviaram dados incompletos e não digitalizados, dificultando a análise. Outro ponto negativo foi a demorara na obtenção das informações: no Mato Grosso do Sul, por exemplo, foram 377 dias de espera.

Saiba mais:


O estudo concluiu que a grande quantidade de depósitos com pouco controle e segurança, o recolhimento precário de informações sobre as armas, a dispersão de dados e a defasagem tecnológica caracterizam os últimos colocados. "Houve casos como o de Sergipe, em que disseram que não havia como p
assar os dados porque os haviam perdido", lamenta Antônio Rangel, lembrando que essa foi a unidade da federação que, proporcionalmente ao número de habitantes, mais arrecadou armas na campanha do desarmamento de 2005.

Controle necessário

O deputado Raul Jungmann, presidente da Subcom e coordenador da pesquisa, acredita que os governantes ainda não perceberam a relação fundamental entre as armas ilegais e a criminalidade. "Eles preferem investir em policiamento e armamento, que demandam muito mais esforço que o simples controle de armas e não garantem resultados efetivos", critica Jungmann.

A pesquisa que deu origem ao ranking aponta que grande parte das armas apreendidas com criminosos tem origem legal. "Se um acompanhamento simples fosse feito desde a aquisição dessas armas, seria muito mais fácil sabermos que caminho ela percorreu para impedirmos que ela chegue ao crime", defende o deputado.

Antonio Rangel defende a redução do estoque de armas para conter a violência. "A combinação entre a proibição do porte e o recolhimento de armas em 2005 e 2008 reduziram em 12% os homicídios por armas de fogo no Brasil; seis mil vidas foram salvas. Essas medidas já se mostraram efetivas", constata o pesquisador.

Barreira político-econômica


Rangel aponta duas razões que impedem alguns governos de priorizarem o controle de armas. A primeira seria os grandes interesses envolvidos no comércio de armas e munições. A segunda, as muitas atribuições da
Polícia Federal, que não consegue dar continuidade a campanhas de controle de armamentos. "Quando a população pressiona, o governo manda a polícia ficar em cima. Quando os ânimos se acalmam, ela é deslocada para outro foco. Se convocasse a sociedade civil para participar, como na campanha de desarmamento, potencializaria sua pequena estrutura", argumenta Rangel

Outra instituição mencionada pelo pesquisador é a Câmara dos Deputados, que, segundo ele, vive um momento paradoxal. Enquanto a Subcom divulga o ranking, há 20 projetos em tramitação que objetivam ampliar o porte de armas. "A solução não é dar arma para as pessoas, e sim ter uma boa segurança pública que nos proteja, como sucede nos países de baixa criminalidade", pondera.

O pesquisador acredita na força da sociedade para barrar as pretensões da 'bancada da bala'. "O Congresso só votou o Estatuto do Desarmamento em 2003 porque 82% dos brasileiros eram favoráveis à lei", teoriza Rangel.

O deputado Raul Jungman acredita que só uma política nacional de controle de armas pode dar fim o lobby político-econômico
que impede avanços. “Eu diria que o ponto principal dessa política seria a obrigação de os estados enviarem as informações sobre o armamento. De nada adianta ter o Sinarm (Sistema Nacional de Armas) se não há uma obrigação de abastecê-lo”, conclui.

Clique aqui e leia a íntegra do relatório preliminar

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Denúncia: salário-base de policial militar no Ceará é de R$ 76


'Policial da noite ganha mais de R$ 2 mil', rebate secretário


Juliana Vasquez Do Ultima Hora

O Governo do Estado entregou nesta quinta-feira (15) mais uma delegacia plantonista à população. Trata-se do 34º DP (Centro), que vai funcionar 24 horas. A DP, comandada pelo delegado José Antunes Teixeira, e que custou R$ 687 mil a reforma, é a responsável pela apuração dos crimes praticados na zona central de Fortaleza.

Em meio à solenidade de mais um inauguração de uma delegacia plantonista à população cearense, os policiais militares engrossam o tom e criticam o baixo salário
da categoria. Do outro lado, a população cobra ampliação de efetivo policial. O aumento do efetivo é necessário, já que até o final de 2010 serão inauguradas 78 delegacias, sendo 53 no interior e 25 na capital.


Denúncia: salário-base de policiais militares é de R$ 76

Os policiais militares do Ceará reclamam dos baixos salários que recebem. Hoje, o salário-base é de R$ 76,67. O resto é pago como gratificação. O contra-cheque é a prova da situação vivida hoje pela maioria da corporação: um salário líquido de R$ 858 por mês.

"Não sei até onde iremos suportar se sustentar como esse valor de referência de R$ 76", afirma Pedro Queiroz, presidente da Associação dos Praças.

PM desabafa e chora: "Estou passando fome. Não tenho pão para dar aos meus filhos"

Para manter a família, alguns confessam que fazem 'bicos' - serviços extras de segurança, nas horas de folga. "Deus é bom e eu consigo bico. Pastoro festa, pastoro carro em estacionamento...", relata um policial, que pede para não ser identificado. "Eu estou passando fome. Os meus filhos acordam de manhã pedem pão. Eu não tenho... (choro) Eu não tenho pão para dar aos meus filhos", completa.

"Policial da noite ganha mais de R$ 2 mil", rebate secretário

O secretário de Segurança Pública e Defesa Social Roberto Monteiro comentou as denúncias dos policiais. "O salário de um policial militar, se ele não é da escala do Ronda - que são 8h por dia em seis dias da semana, é de R$ 1348. Se ele entrar na escala do Ronda durante o dia, e isso está aberto voluntariamente a todo policial que queira aderir, ele ganhará mais R$ 380. Se for na escala da noite, terá um 'plus' de R$ 780. Ou seja, um policial da noite ganha mais de R$ 2 mil", afirma.

PM da Paraíba tem um dos piores salários do Brasil

Do Blog Nosso Paraná

O salário da Polícia Militar do Estado do Pará está entre os piores do País. Entre as 27 PMs brasileiras, a da Paraíba aparece em 22º lugar como aquela que recebe o salário mais baixo: R$ 1.080,00 é quanto ganha o policial militar paraibano, cuja situação somente não é mais aviltante que a dos colegas de farda dos Estados do Pará (R$ 1.015,00) Piauí (R$ 1 mil), Rio Grande do Sul (R$ 965,00), Pernambuco (R$ 900,00) e Rio de Janeiro (R$ 800,00).Os policiais, principalmente os militares, se sobrecarregam de trabalho, já que um grande número deles faz “bicos” como segurança em festas, boates e no comércio, para ter uma renda melhor. Com baixos salários, sem viaturas e armamentos adequados para enfrentar a criminalidade, os policiais são submetidos a perigos ainda maiores diante do maior e melhor aparelhamento dos bandidos, cada vez mais ousados.Veja a média salarial dos policiais militares no Brasil

Confira os valores pagos aqueles que tem o dever de defender com a vida as nossas vidas:

1 – PM do Distrito Federal: R$ 4.187,002 – PM de Goiás: R$ 2.700,00

3 – PM do Amapá: R$ 1.770,00

4 – PM do Paraná: R$ 1.700,00

5 – PM de Santa Catarina: R$ 1.600,00

6 – PM do Amazonas: R$ 1.600,00

7 – PM do Mato Grosso do Sul: R$ 1.500,00

8 – PM de Alagoas: R$ 1.487,00

9 – PM de Tocantins: R$ 1.455,00

10 – PM de Minas Gerais: R$ 1.332,00

11 – PM da Bahia: R$ 1.264,00

12 – PM de Rondônia: R$ 1.251,00

13 – PM de São Paulo: R$ 1.240,00

14 – PM do Espírito Santo: R$ 1.237,00

15 – PM de Roraima: R$ 1.201,00

16 – PM do Maranhão: R$ 1.200,00

17 – PM do Acre: R$ 1.200,00

18 – PM do Ceará: R$ 1.147,00

19 – PM do Mato Grosso: R$ 1.114,00

20 – PM do Rio Grande do Norte: R$ 1.111,00

21 – PM de Sergipe: R$ 1.111,00

22 – PM da Paraíba: R$1.080,00

23 – PM do Pará: R$ 1.015,00

24 – PM do Piauí: R$ 1.000,00

25 – Brigada Militar do Rio Grande do Sul: R$ 965,00

26 – PM de Pernambuco: R$ 900,00

27 – PM do Rio de Janeiro: R$ 800,00

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A polícia do Rio é mal paga mesmo


Do Blog do Sidney Rezende

A cobrança que policiais recebem da sociedade não corresponde ao salários que ganham. É um trabalho heróico num período de guerra.

Recebi uma mensagem de um oficial da Polícia Militar que não me pediu sigilo, mas eu não direi o seu nome por decisão pessoal. Vejam a que pode a apreensão de um homem lei chega e as dúvidas que são obrigados a carregar dentro de si:

"Meus caros, sou tenente da Polícia Militar do Rio de Janeiro e tenho acompanhado, de muito perto, as discussões sobre a segurança pública no nosso estado, principalmente após o Rio tornar-se sede das olímpiadas de 2016. Essas discussões se intesificaram após os episódios ocorridos no último sábado. Acompanho o SRZD principamente a editoria RIO+ e não entendo porque ninguém questiona o governador, nem o secretário(de Segurança) , pelo fato de a polícia fluminense ser a segunda mais mal paga do Brasil. Há algum pacto velado entre a imprensa e o governo ou ninguém percebe que polícia boa e barata não existe? Como ter qualidade na tropa por 800 reais por mês? Quem são as pessoas que se prestam a ingressar na PM por esse salário? Nós temos policiais de R$ 800".

EUA prendem mais de 300 em ofensiva contra cartel mexicano



Da BBC Brasil




Mais de 300 pessoas foram presas em uma série de operações contra um cartel de drogas mexicano que atua nos Estados Unidos, de acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira por autoridades americanas.

Durante dois dias de operações, a polícia americana e agentes do FBI apreenderam US$ 3,4 milhões em dinheiro, 144 armas e mais de cem veículos, além de metanfetaminas, cocaína e maconha.

"Essas são drogas que eram enviadas a nossas ruas, e armas que frequentemente eram enviadas às ruas do México", disse o secretário de Justiça americano, Eric Holder.

De acordo com as autoridades americanas, a megaoperação é parte do Projeto Coronado, uma iniciativa policial contra o narcotráfico que já resultou em quase 1,2 mil prisões nos últimos quatro anos.

La Familia

As novas operações, que envolveram milhares de policiais em 14 Estados americanos, foram a mais recente ofensiva contra o cartel conhecido como La Familia.

Segundo as investigações, o cartel La Familia tem como base o Estado de Michoacán, no oeste do México.

O grupo é acusado de realizar ataques violentos contra forças de segurança mexicanas.
De acordo com as autoridades americanas, o cartel demonstrou "um nível incrível de sofisticação e crueldade".

Sofisticação


Ao anunciar as prisões, o secretário de Justica americano disse que o cartel mexicano sofreu um "golpe significativo".

De acordo com Holder, a nova ofensiva policial desestruturou as operações do cartel nos Estados Unidos.

"Essa operação foi um golpe significativo para a cadeia de suprimento de drogas, armas e dinheiro de La Familia entre o México e os Estados Unidos", disse.

O secretário americano também elogiou as autoridades mexicanas e disse que o governo do México faz um bom trabalho no combate aos cartéis de drogas.

"Eles enfrentam um problema de dimensão quase inimaginável", afirmou Holder.

O diretor do FBI, Robert Mueller, disse que La Familia se transformou nos últimos anos "de um cartel de drogas em uma sofisticada organização criminosa".

Contra-ataque com operação permanente

Cúpula da Segurança se reúne para avaliar os resultados até agora e traçar estratégias

Do O Dia

Rio - Contra-atacar é a palavra de ordem da cúpula da segurança pública para responder aos bandidos do Comando Vermelho (CV), que derrubaram um helicóptero da PM, sábado, provocando a morte de três policiais. A determinação foi passada ontem em reunião convocada pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, da qual participaram o comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, o chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski, e os principais coronéis e delegados responsáveis pelo setor operacional da polícia. “Como ocorreu hoje (ontem), a polícia não vai mais parar de fazer operações”, revelou um dos pre
sentes à reunião.

Segundo o relações-públicas da PM, major Oderlei Santos, a reunião serviu ainda para avaliar os resultados das prisões, depoimentos já prestados e apreensões de armas feitas desde a madrugada de sábado em comunidades em guerra na Zona Norte. Os comandos das polícias Militar e Civil também traçaram estratégias para novas operações nos morros.

>> FOTOGALERIA: Quarta-feira de intenso confronto pelas favelas do Rio

“As ações desencadeadas até o momento estão direcionadas, com o objetivo de identificar e prender todos os que, direta ou indiretamente, participaram
do ataque ao helicóptero da PM”, afirmou Oderlei. Segundo ele, as ações preventivas continuam. “Estamos aumentando as ações repressivas para prender os envolvidos”, enfatizou o oficial da PM.

>> FOTOGALERIA: Momentos da guerra sangrenta no sábado

De acordo com balanço divulgado no fim da tarde pela assessoria de imprensa da PM, os confrontos iniciados no sábado já deixaram 33 mortos — 18
seriam traficantes, três são policiais militares e quatro, inocentes. Entre os criminosos, oito morreram em tiroteios envolvendo o Comando Vermelho e rivais da facção Amigos dos Amigos (ADA), segundo o major Oderlei. No, 22 suspeitos de envolvimentos nos conflitos foram presos. No entanto, os principais alvos das polícias ainda estão nas ruas. São eles: Fabiano Atanázio da Silva, o FB; Alexandre Mendes da Silva; o Polegar; Magno Tatagiba, o Magno da Mangueira; Ricardo Severo, o Faustão, e Ilan Nogueira Sales, o Capoeira. A maior concentração de bandidos estaria na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha.

DESAFIO DO TRÁFICO
Fotos: André Mourão / Agência O DIA

Apesar das ações da polícia, pelo segundo dia consecutivo, traficantes do Morro dos Macacos desafiaram as autoridades, com um novo desfile de armamento de guerra pela comunidade flagrado por O DIA. Ontem à tarde, um bandido, com uma camisa amarrada na cabeça, se posicionou sobre a laje de um barraco, no alto do morro, e empunhou uma metralhadora. A arma, aparentando ser nova, possui braço retrátil. Com um radiotransmissor pendurado na bermuda, o criminoso fez gestos de ironia e apontou a arma, ameaçando atirar. Em volta dele, pelo menos dez homens — alguns deles menores — riam com o exibicionismo do traficante. Na véspera, bandidos circularam ostentando fuzil e pistola em outro ponto da favela, perto de um Cruzeiro.

A guerra no Rio

No último sábado, bandidos do Morro de São João tentaram invadir o Morro dos Macacos para tentar tomar os pontos de venda de drogas da comunidade. Houve intenso tiroteio durante toda a madrugada. Moradores ficaram apavorados com a guerra. A Polícia Militar estava no entorno da favela, em Vila Isabel, Zona Norte da cidade.

Pela manhã, a PM interveio e foi para cima do confronto. Os criminosos atiraram contra um helicóptero da Polícia Militar e conseguiram derrubá-lo. Três militares morreram na queda da aeronave. O piloto, considerado um herói, conseguiu escapar. No Jacarezinho e na Mangueira, traficantes atearam fogo em oito ônibus. 29 pessoas já morreram em eventos relacionados à guerra do tráfico desde o último fim de semana.

Reportagens de Adriana Cruz, Alessandro Ferreira, Bartolomeu Brito, Charles Rodrigues, Francisco Edson Alves, Luarlindo Ernesto, Marco Antonio Canosa, Maria Inez Magalhães e Maria Mazzei

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

CPI da Violência convoca Tarso para falar sobre segurança no RJ

Ministro da Justiça deve falar à comissão na próxima quarta-feira (28).
Convocação ocorre após episódios de violência na capital carioca.

Eduardo Bresciani Do G1

A CPI da Violência Urbana da Câmara dos Deputados convocou nesta quarta-feira (21) o ministro da Justiça, Tarso Genro, para falar sobre a segurança no Rio de Janeiro. A audiência deve ocorrer na próxima quarta-feira (28).

A convocação tem como base os episódios de violência registrados na cidade neste final de semana, inclusive a derrubada de um helicóptero da polícia militar. Na noite dessa terça-feira (20), moradores de bairros da Zona Norte da cidade deixaram suas casas com medo de novos ataques.

O autor do requerimento é o deputado José Aníbal (SP), líder do PSDB. Ele deseja a presença do ministro para discutir o repasse de recursos do governo federal para ajudar no sistema de segurança do estado do Rio de Janeiro.

O secretário de segurança pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, chegou a dizer que a ordem para os conflitos partiu do presídio federal de segurança máxima de Catanduvas (PR). Tarso negou a informação.

O requerimento foi aprovado em votação simbólica, com o apoio da base aliada. O relator da CPI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), disse já ter negociado com o ministro a presença para a próxima quarta-feira (28).

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Segurança para Copa pode estar apressando invasões do tráfico

Do Terra

O cerco da polícia visando à Copa do Mundo e às Olimpíadas no Rio de Janeiro, com a instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) como as do Dona Marta, em Botafogo, e da Babilônia, no Leme, pode estar "apressando" traficantes a garantirem áreas de domínio pelos próximos anos, relataram policiais civis.

De acordo com eles, o governo estadual deve reforçar a segurança ao se aproximarem a Copa e os Jogos de 2016 para não correr o risco de perder o direito a sediá-los - o que já aconteceu em 1986, com a Colômbia, que, dominada por cartéis de narcotraficantes, cedeu a Copa ao México.

Segundo policiais, o aumento da segurança nas favelas com as UPPs pode eliminar a possibilidade de invasões, levando traficantes a tentar garantir bocas de fumo nos próximos dois anos, de preferência longe de instalações usadas nas competições esportivas.

Com a Mangueira - próxima ao Maracanã - cogitada para receber uma UPP, a facção criminosa Comando Vermelho teria entrado no morro dos Macacos não para tomá-lo, mas para forçar os rivais da Amigos dos Amigos (ADA) a voltar para defendê-lo e, assim, não tentarem invadir as favelas da Tijuca.

"Casa Branca e morro do Cruz tinham, pelo menos, 100 homens da ADA que voltaram para Macacos, Rocinha e São Carlos com medo de perdê-los", contou um policial, acrescentando que todos os traficantes mortos desde sábado eram do Comando Vermelho e que a facção não se importou com isso, porque a ação foi "taticamente" positiva para ela.

Pelo menos 22 pessoas morreram durante os confrontos entre a Polícia Militar e criminosos do morro dos Macacos. Um helicóptero blindado da polícia foi derrubado e três agentes que estavam a bordo morreram.

Nesta segunda-feira, a polícia realizou operações em seis favelas cariocas para conter o crime. Cerca de 2 mil policiais foram aos morros tentar capturar os traficantes que participaram direta ou indiretamente da ação criminosa.

Estudo faz balanço das armas de fogo no Brasil


Do Opinião e Notícia

Segundo pesquisa realizada pela ONG Viva Rio em conjunto com a Câmara dos Deputados, o Brasil só consegue rastrear uma de cada quatro armas apreendidas. Na última década, das 238.311 retiradas das ruas, apenas 50 mil podem ser identificadas desde sua fabricação.

O estudo mostrou que o Distrito Federal tem a mais eficiente política de controle de armas. Os segundo e terceiro lugar da lista, são, respectivamente do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Segundo o Viva Rio, o Brasil conta com 40 mil mortes por armas de fogo anualmente, número superior a muitos países em guerra civil. O estudo estima que atualmente esteja em circulação um número aproximado de 17,6 milhões de armas de fogo no país. O levantamento, que ainda é parcial, indica que 6 milhões estariam sendo usadas pelo crime organizado.

Polícia Civil revela detalhes da prisão de integrante do PCC


Do Alagoas em Tempo Real


A Polícia Civil de Alagoas apresentou na manhã desta segunda-feira (19) Givanildo Rosa de Souza, conhecido como “Bahia”, que foi resgatado do presídio Baldomero Cavalcante quinta-feira última (dia 15), e mais cinco homens que ajudaram na fuga. A apresentação aconteceu na sede da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), no bairro do Farol.

Acusado de integrar a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Givanildo foi localizado e preso numa fazenda na cidade de Garanhuns, interior de Pernambuco, no domingo, em uma ação policial que mobilizou um total de 40 homens da Deic, do Serviço de Inteligência e do Tigre, da PC alagoana, com o apoio de policiais militares pernambucanos do Gate e da Companhia da PM de Garanhuns.

O paulista Moisés Tavares da Silva, o “Índio”, supostamente também membro do PCC e que estava em companhia de Givanildo, na fazenda, também foi preso. O proprietário do local, conhecido por Aldo, tinha um mandado de prisão da expedido pela justiça pernambucana, mas a ordem judicial já estava vencida e por isso ele acabou liberado.

De acordo com as informações do coordenador da Deic, Paulo Cerqueira, a operação que resultou na prisão do fugitivo se iniciou logo depois da fuga.

Menos de 24 horas depois, foram presos Damião Luiz Soares do Santos e Vanderson Duarte da Costa, que estavam hospedados em uma pousada no bairro da Pajuçara. Logo depois, foram localizados e também detidos, em uma mata às margens da BR-101, no município de Messias, Josival Serafim Mendes e Márcio Ferreira da Costa. Os quatro teriam ajudado na execução e na logística do resgate do presidiário.

Givanildo admite que o plano de fuga foi tramado fora do presídio e que ele tinha conhecimento de tudo antecipadamente. Uma corda feita de lençóis (conhecida como “tereza”) foi usada para escalar o muro do presídio, mas o plano acabou sendo descoberto porque outros detentos também tentaram fugir e a corda rompeu. Houve troca de tiros e perseguição, mas Givanildo conseguiu escapar.

Três carros foram utilizados no resgate – um Polo, um Corsa e um Ford Ka. Além disso, o grupo estava armado com um fuzil Colt, uma submetralhadora Uzi e dois pistolas, calibre 9 milímetros.

As investigações revelaram que Givanildo é natural da Bahia, onde responde por diversos crimes. Recentemente, ele teria participado também de delitos em São Paulo, local onde o PCC tem maior atuação, conforme informou o agente J. Cavalcante, do Deic, que fez a apresentação dos presos.

Tanto Givanildo como Moisés Tavares – o “Índio” – possuem tatuagens que indicam sua ligação com o PCC.

RJ vai receber R$ 100 milhões e novo helicóptero blindado para PM, diz Cabral

Anúncio foi feito pelo governador nesta segunda (19).
Ele não confirma que ordem de invasão partiu de Catanduvas.

Alícia Uchôa Do G1

O estado do Rio vai receber R$ 100 milhões da Secretaria Nacional de Segurança Pública, além de um segundo helicóptero blindado para a Polícia Militar.

O anúncio foi feito pelo governador Sérgio Cabral na manhã desta segunda-feira (19), durante a vistoria das obras do canal do Fundão, na Ilha do Governador, no Rio.

“Esse helicóptero já estava licitado e faltava liberação de recursos. Falei com o presidente Lula, no fim de semana, que me confirmou a liberação da verba”, disse Cabral.

O Ministério da Justiça informou, nesta segunda-feira, que os R$ 100 milhões citados por Cabral devem fazer parte das ações do Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania (Pronasci) que foram liberados no mês passado.

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Apesar da Secretaria de Segurança Pública ter afirmado que a ordem para a invasão do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, partiu do presídio de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná, o governador disse que ainda não há essa confirmação.

Segundo ele, ainda também não foi confirmada a arma utilizada pelos criminosos para abater o helicóptero da Polícia Militar o fim de semana: “O estresse se dá porque estamos mudando o status quo dessas quadrilhas que tinham uma estrutura financeira e bélica que hoje não tem mais. O mesmo também vem acontecendo com as milícias”, informou Cabral.

Segundo a Secretaria, a informação teria sido confirmada por setores de inteligência das polícias Civil e Militar do Rio. O secretário Segurança, José Mariano Beltrame, deve se reunir ainda nesta segunda-feira (19) com o governador Sérgio Cabral.

Patrulhamento reforçado


Depois de um fim de semana de muita violência, a Polícia Militar informou que a situação é tranquila na manhã desta segunda, nos acessos e nas comunidades do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, e do Morro São João, no Engenho Novo, no subúrbio do Rio.

Dois mil policiais estão de prontidão desde sábado (17), quando teve início uma guerra entre traficantes de facções rivais, que deixou doze mortos. E no domingo, outras duas pessoas morreram durante operação no Jacarezinho. Dois corpos também foram achados no Morro São João.

No tiroteio, criminosos acertaram um helicóptero, que explodiu, matando dois policiais. E ônibus foram incendiados em outros bairros do subúrbio.

De acordo com investigações, Fabiano Atanazio da Silva é o homem que teria dado ordem para a invasão do Morro dos Macacos. Ele é procurado por tráfico de drogas, e formação de quadrilha e é foragido da Justiça. Segundo a polícia, ele atua no Conjunto de Favelas do Alemão e queria dominar o morro em Vila Isabel.

Três mortes sendo investigadas

A polícia está investigando se três dos dez mortos no confronto entre traficantes rivais e policiais, no sábado (17), na Zona Norte do Rio, são inocentes.

Parentes dos três jovens contaram que eles trabalhavam como pedreiro, mecânico e auxiliar administrativo, e voltavam de uma festa na hora da invasão. Testemunhas disseram que o carro deles foi metralhado por criminosos.

domingo, 18 de outubro de 2009

Novo confronto no Rio deixa dois mortos


Por Stuart Grudgings e Camila Moreira, Da Reuters Brasil


A polícia do Rio informou neste domingo que foram mortos dois suspeitos de tráfico e quatro pessoas foram presas em uma ação em uma favela na cidade nesta manhã, um dia depois de conflitos entre gangues de traficantes e policiais terem deixado 12 mortos.

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A violência, que matou dois policiais quando um helicóptero foi derrubado no sábado, deixou partes da cidade com aparência de uma zona de guerra, duas semanas depois que o Rio foi escolhido para sediar as Olimpíadas de 2016.

"O governador (do Rio, Sérgio Cabral - PMDB) está fazendo uma política corajosa e de enfrentamento, e ao mesmo tempo de programas sociais e de atendimento a comunidades carentes, mas isso que aconteceu nada tem a ver com a realização de grandes eventos", disse em São Paulo o ministro do Esporte, Orlando Silva.

"A preocupação não deve ser como isso vai repercutir, mas sim com o bem estar da população", acrescentou.

Uma porta-voz da polícia disse que foram mortos dois suspeitos de tráfico e quatro foram presos durante operação na favela do Jacarezinho neste domingo.

Autoridades cancelaram as folgas de 3.500 policiais para conter a violência, que começou no sábado no morro dos Macacos, na mesma região, quando um helicóptero da polícia foi derrubado matando dois policiais.

Ainda no sábado, dez supostos traficantes foram mortos, segundo a polícia. Uma gangue de traficantes também é suspeita de ter colocado fogo em ao menos oito ônibus de transporte urbano no mesmo dia.

Inteligência detecta, mas polícia fracassa no combate ao crime

Do Blog Repórter de Crime


Policial corre perto do helicóptero Esquilo, da PM, que fez um pouso forçado e explodiu
Fotos de Fabiano Rocha e Pablo Jacob, Agência O GLOBO

Não adianta tentar tapar o sol com a peneira. Nesse grave momento, em que pela primeira vez os bandidos conseguiram derrubar um helicóptero da polícia, é preciso humildade por parte das autoridades de segurança pública para reconheceram que mais uma vez a polícia falhou. Apesar de a Coordenadoria de Inteligência da Polícia Civil (Cinpol) ter interceptado telefonemas de bandidos, nos quais avisavam que iriam invadir o Morro dos Macacos, em Vila Isabel, a Secretaria de Segurança, por meio da Polícia Militar, fracassou na tentativa de impedir o confronto entre os traficantes de facções rivais. Policiais do 6o Batalhão e do Batalhão de Choque estavam na região do conflito, mas não tiveram êxito no combate aos criminosos.

É lamentável que isso tenha ocorrido justamente quando a polícia tentou fazer algo para impedir a invasão - contrariando a postura que tem tido em outras guerras do tráfico, como a do Complexo da Maré, onde teriam morrido 50 pessoas. O caso já está repercutindo na mídia internacional que não poderia evitar referências ao fato de o Rio ter ganho as Olimpíadas de 2016, apesar de o quesito segurança ter passado raspando na sabatina feita pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). O "New York Times" fez questão de lembrar que a nova onda de violência ocorreu a cerca de 10 quilômetros do Maracanã, um dos palcos dos Jogos Olímpicos e sede da final da Copa de 2014.

Visivelmente abatido, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, admitiu em entrevista coletiva que o serviço de inteligência da PM - P-2 - soube na sexta-feira da ameaça de invasão ao Morro dos Macacos. Ele reconheceu, porém, que não foi possível saber por quais das centenas de acesso os bandidos entrariam. O único avanço foi o secretário admitir que sabia. Em 2006, o então subsecretário de Inteligência, coronel Romeu, alertou a Secretaria de Segurança, mas ninguém deu a mínima e ainda alegaram desconhecimento do aviso. Conclusão: cinco inocentes acabaram sendo mortos na invasão de traficantes em disputa pelos pontos de venda de drogas da favela da Rocinha. Curiosamente, é a facção dos bandidos da Rocinha que estaria por trás da nova movimentação na geopolítica do varejo do narcotráfico. Essa facção estaria patrocinando, com homens e armas, as invasões de favelas da Tijuca.

Dessa vez o fracasso da PM custou a vida de bravos combatentes, dois dos seis tripulantes do helicóptero Esquilo, do Grupamento Aero Marítimo (GAM), além de três pessoas que seus parentes garantem ser inocentes. Foram eliminados pelos traficantes, confundidos com bandidos rivais só porque eram quatro homens chegando num carro, às 2h30m da madrugada. Outros sete mortos seriam criminosos na disputa pelo negócio das drogas. A tragédia do helicóptero só não foi maior porque o piloto, Marcelo Vaz de Souza, conseguiu fazer um pouso forçado no campo da Vila Olímpica de Sampaio, salvando dezenas de casas da região. Esse, sim, é o herói da vez.

O pior de tudo é que a aeronave sequer estava atacando os bandidos. Sobrevovava o Morro São João, no Engenho Novo, para socorrer policiais feridos no confronto com os traficantes. Um policial especialista em mecânica de helicóptero me contou que a PM tem um padrão de voo desaconselhável para áreas de risco, como algumas favelas cariocas. Suas aeronaves ficam mais expostas porque voam alto e em velocidade menor do que a do padrão da Polícia Civil, que voa baixo e rapidamente. Os helicópteros da PM costumam sobrevoar as áreas para observação e não para combate, como ocorre com helicópteros da Polícia Civil.

- Nenhuma polícia do mundo usa aeronaves como plataforma de tiros. Só no Rio de Janeiro - afirmou agora à noite em entrevista à Globo News, Rodrigo Pimentel, capitão da reserva da PM e co-autor de "Elite da Tropa", o livro que inspirou o filme "Tropa de Elite".

Em algumas áreas da cidade, a polícia do Rio não entra sem apoio aéreo. Nessa escalada armamentista, a Secretaria de Segurança pagou R$ 7 milhões no caveirão aéreo - o helicóptero Huey II, da Polícia Civil. Faltou verba ou vontade política para comprar um desses para a PM. Numa operação na Favela da Coréia, em outubro de 2007, chamei de Safari Aéreo a operação da Polícia Civil na qual um atirador manda bala em bandidos em fuga.

O mais preocupante nesse episódio - além do clima de terror implantado pelo tráfico, que incendiou oito ônibus nas proximidades de favelas - é que o abate do helicóptero indica que os criminosos, com suas armas de guerra, colocaram em xeque a estratégia de combate que tem garantido a ocupação pela polícia, de territórios antes exclusivos do tráfico. Podem ter sido tiros nos escuro. Mas os criminosos acertaram em cheio a política de segurança do governo do estado. Venceram essa batalha, mas a polícia já prometeu que dará uma resposta à altura. É o mínimo que nós, cidadãos de bem, podemos esperar. Que a polícia aja dentro da lei, mas com a energia necessária para que esse tipo de ação criminosa jamais se repita.

Nuvens de fumaça de ônibus incendiados pelo tráfico, no Jacarezinho
Fotos de Fabiano Rocha e Pablo Jacob, Agência O GLOBO


sábado, 17 de outubro de 2009

Obama anuncia interdição aérea contra narcotráfico no Brasil


Determinação afirma que o governo brasileiro tomou as medidas necessárias para proteger a vida de inocentes

Do Estadão

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou neste sábado a interdição aérea de aviões que poderiam transportar drogas ilegais sobre território brasileiro.

Em uma "determinação presidencial" dirigida aos departamentos de Estado e de Defesa, o líder assinalou que a interdição "é necessária devido à extraordinária ameaça que representa o tráfico de drogas à segurança dessa nação".

Acrescentou que a interdição inclui, pelo menos, o uso de meios efetivos para identificar e advertir um avião suspeito de transportar drogas antes do uso da força. A determinação presidencial indicou que o Governo do Brasil tomou as medidas apropriadas para proteger a vida de inocentes tanto no ar como em terra.

A nota instruiu ao Departamento de Estado a publicar a decisão na Gazeta Federal e a notificar ao Congresso.

Governador do RJ diz que política de segurança pública não vai mudar

Do G1


Pelo menos 12 pessoas morreram em confrontos neste sábado (17).
Dois mortos são policiais que estavam em helicóptero que explodiu.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, comentou, na tarde deste sábado (17), a onda de violência que deixou pelo menos 12 mortos e oito feridos - seis policiais e dois moradores - nos bairros de Vila Isabel e Sampaio, na Zona Norte. Segundo ele, o governo vai manter uma permanente luta de combate ao crime organizado.

Entenda como nasceu o crime organizado

Você na linha de fogo


Veja fotos da operação policial


“Já tomamos as medidas necessárias para reagir a esse tipo de organização criminosa. Temos que efetivamente ter uma permanente luta de combate ao crime. Vamos continuar nessa linha, enfrentamento a situação. Não muda nada, continua a mesma política”, disse o governador do Rio.

Durante uma coletiva, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse que a polícia irá atrás dos responsáveis pelos ataques. Uma pessoa foi presa e um adolescente, apreendido.

“Vamos atrás dos responsáveis, o trabalho de inteligência está muito forte. Vamos continuar nosso trabalho”, afirmou o secretário durante entrevista coletiva realizada no fim da tarde. O delegado Alan Turnowski, chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, disse que "a resposta vai vir na mesma medida". "A polícia está muito tranquila que dará essa reposta, como sempre deu. A situação não vai ficar impune", disse o delegado.

Dez criminosos mortos

A Polícia Militar anunciou que dez criminosos foram mortos no confronto entre traficantes rivais e policiais no Morro dos Macacos. As informações são do major Oderlei Santos, relações públicas da PM. Com estes, já somam 12 mortos nos tiroteios, entre eles dois PMs.

Um helicóptero Esquilo da PM com seis policiais a bordo foi atingido por tiros quando sobrevoava o morro. Em pane, a aeronave fez um pouso forçado no campo de futebol da Vila Olímpica de Sampaio e explodiu em seguida. Da corporação, dois morreram e dois ficaram feridos com queimaduras - um deles está em estado grave.

De acordo com as autoridades, o helicóptero fazia o trabalho de observação no morro, para passar informações para as tropas em terra. Além disso, a aeronave estava à disposição para casos de necessidade de transporte de feridos.

Beltrame comentou sobre a explosão do helicóptero. “Tivemos um incidente triste com um helicóptero, o capitão Marcelo num ato heroico conseguiu livrar que centenas de pessoas viessem a sofrer com a queda dessa aeronave”, afirmou durante entrevista.

Segundo o secretário, foram tomadas medidas para evitar a guerra entre as quadrilhas rivais. “Mais de 80% das invasões [nos morros] que acontecem a gente tem antecipado.” Beltrame disse, no entanto, que foi impossível destacar policiais para coibir a entrada de traficantes no morro. “Se você pegar o mapa, você vai ver a infinidade de acessos que têm ali.”

Beltrame admitiu que a polícia “pode até ter demorado um pouco” para agir, mas disse que ela “planejou” a ação. “A polícia não vai entrar de madrugada, de maneira açodada [no morro]. Nós agimos com responsabilidade, nós temos de preservar o cidadão. As vidas de outras pessoas estão em jogo no lugar.”

O coronel Mário Sérgio Duarte, comandante-geral da PM do Rio de Janeiro, disse ainda não saber qual arma foi capaz de “derrubar” o helicóptero onde estavam os policiais. Segundo ele, no entanto, os criminosos têm fuzis de alto alcance, capazes de perfurar placas. Beltrame afirmou que foram apreendidos oito fuzis.

A gravidade do caso levou a PM a montar um gabinete de gerenciamento de crise, que funciona no 6º Batalhão (Tijuca). O comandante geral da corporação integra o grupo.

Quadrilha queima ônibus

Numa ação feita supostamente por criminosos da mesma facção que tentara invadir o Morro dos Macacos, oito ônibus, pelo menos, foram incendiados em acessos à favela do Jacarezinho, no Jacaré, outro bairro da região que é cortada pela linha férrea da antiga Central do Brasil, a atual SuperVia.

"Desce, desce, vamos botar fogo". Foi assim que o motorista Fábio Nascimento foi abordado por cerca de 15 homens armados de fuzis e pistolas e com os rostos cobertos.

Nascimento contou que os 40 passageiros foram retirados do ônibus antes dele ser queimado. Em seguida, o bando interceptou mais dois ônibus da mesma linha que seguiam pela Avenida Dom Helder Câmara, a antiga Avenida Suburbana.

Segundo policiais, a ação teve o objetivo de desviar a atenção dos acontecimentos no Morro dos Macacos. A viação Braso-Lisboa suspendeu a circulação dos seus coletivos por falta de segurança.

O confronto no Morro do Macacos começou no início da madrugada de sábado, quando uma quadrilha tentou tomar os pontos de venda de drogas na área. Pela manhã, a Polícia Militar interveio, mas a ação policial terminou com o helicóptero Águia abatido.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Nº de latrocínios já supera o de 2008



Josmar Jozino, do Estadão

Os casos de latrocínios (roubos seguidos de morte) registrados de janeiro a setembro deste ano superaram os de todo o ano passado na capital paulista - 73 neste ano, ante 69 em 2008. Na comparação entre os três primeiros trimestres de 2009 com igual período do ano passado (51 ocorrências), o crescimento foi de 43%. O número, porém, pode aumentar, pois pelo menos dois boletins de ocorrência foram elaborados como roubo consumado e homicídio doloso.

Veja também: Crime pode ter subnotificação na capital

A reportagem apurou que a Polícia Civil registrou 21 latrocínios na capital de julho a setembro deste ano. Os dados são do Infocrim, uma importante ferramenta desenvolvida pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) para mapear e combater a criminalidade no Estado. No primeiro trimestre de 2009, houve 27 casos e no segundo trimestre, 25. As estatísticas oficiais devem ser divulgadas somente no dia 20.

Segundo o sociólogo Ignácio Cano, professor e coordenador de pesquisas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), o latrocínio é um assalto que deu errado e um crime difícil de ser combatido. Segundo ele, para diminuir os casos é necessário combater com sucesso os roubos. "Se houver uma política de prevenção aos assaltos, com mapeamento, investigação e policiamento ostensivo, haverá, automaticamente, redução nos roubos seguidos de morte. A maioria desses crimes é cometida com arma de fogo." No entanto, o pesquisador destaca que o aumento de casos, em números absolutos, é pequeno, o que dificulta uma análise mais detalhada.

Os números obtidos pela reportagem mostram que a maioria dos latrocínios registrados no terceiro trimestre de 2009 na capital ocorreu na zona leste. Foram nove casos no Belém, Penha, Vila Matilde, Carrão, São Mateus (dois), Parque São Jorge, Vila Formosa e Cidade A.E. Carvalho.

Uma das vítimas na zona leste foi o aposentado Evaldo Sebastião Lago Branco, de 58 anos. Ele foi morto a tiros por três ladrões na porta de casa, na Rua Rodovalho Júnior, Penha, na madrugada de 28 de setembro. Os assaltantes queriam o Peugeot 206 dele. O aposentado não reagiu e entregou o carro, mas ainda assim foi baleado.

Procurada, a Polícia Militar informou, por meio do capitão Emerson Massera, da Assessoria de Imprensa da corporação, que a maior parte das vítimas de latrocínio é atacada em veículos. "A prevenção desse tipo de crime realmente é difícil. O assaltante, geralmente, é um pequeno criminoso, desastrado e despreparado. Não tem equilíbrio emocional e quase sempre está mais nervoso do que a vítima", acrescentou.

Crime pode ter subnotificação na capital


Quando vítima não morre no local do ataque, [br]registro acaba sendo feito como roubo ou homicídio

Josmar Jozinho - do Estadão

Pelo menos duas ocorrências em que as vítimas morreram durante assalto se encontram registradas de forma diferenciada pela polícia. Isso significa que os casos de latrocínio somados na capital no terceiro trimestre deste ano podem passar dos 21 e superar os registrados pela polícia em igual período do ano anterior.

Em 19 de julho, o estudante Fred Chua, de 28 anos, conversava com a namorada no carro dela, um Toyota Corolla, na Aclimação, região central de São Paulo. Um assaltante se aproximou, mandou o casal descer e exigiu a chave do veículo. Estudante do último ano de Engenharia de Minas e Petróleo na Poli-USP, Chua foi baleado ao descer. O ladrão levou a carteira da vítima. O boletim de ocorrência 4.805/09 do 5º Distrito Policial (Aclimação) foi registrado como roubo consumado. O BO 4.807 comunicou o óbito e o terceiro, 4.811, foi confirmado como roubo consumado - e não como latrocínio, o que ocorreu.

Já o BO 3.583/09, da morte do executivo Fernando Ferro Antunes de Siqueira, de 38 anos, assassinado em assalto no Morumbi, zona sul, em 7 de julho, foi registrado no 34º DP como roubo tentado. O BO 3.588 informava o óbito da vítima e o BO 3.592 acabou elaborado como homicídio doloso. Nos dois casos, apesar dos vários BOs, não ocorreu a identificação correta. A reportagem procurou a Secretaria da Segurança para falar sobre os problemas de notificação e os números de latrocínios, mas a pasta preferiu não se manifestar e disse que vai esperar a divulgação dos dados no dia 20.


PARA EVITAR CRIMES

Não reaja: A principal orientação da polícia é nunca reagir

Ao volante, fique atento: A maioria dos latrocínios acontece quando a vítima está em um carro

Abordado, evite ações bruscas: A vítima deve avisar o ladrão sobre o que vai fazer (tirar o cinto de segurança ou pegar a carteira)

Deixe o carro preparado: O veículo deve estar sempre engatado e o motorista, preparado para deixar logo o local, se pressentir o assalto. As portas devem ficar travadas e as janelas, fechadas

Não deixe bens à vista: Evite pôr bolsas, carteiras, celular e outros objetos nos bancos, em locais visíveis para os ladrões

Não se distraia, não use celular: Ao parar, evite se distrair falando ao celular ou retocando a maquiagem. Fique atento ao que está em volta .

Cantinas de presídios financiam o PCC

Em MS, quem não é de facção paga mais; lucro banca melhorias

Felipe Recondo, do Estadão

As cantinas de dois presídios de segurança máxima em Mato Grosso do Sul têm servido para financiar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o próprio Estado. Em Campo Grande, conforme informações de agentes da inteligência da Polícia Militar, os produtos vendidos na cantina são mais caros para aqueles que não integram o PCC. Uma lata de refrigerante chega a custar R$ 5. Na colônia agrícola de Campo Grande e no presídio de segurança máxima de Dourados, o lucro obtido nesse comércio é usado para gastos administrativos, que deveriam ser bancados pelo Estado.

O problema identificado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) durante mutirão em Mato Grosso do Sul já foi constatado em outros Estados, como Rio e Maranhão. A conclusão a que chegaram juízes que inspecionam os presídios é de que os presos, em alguns presídios, acabam pagando para permanecer encarcerados ou financiam indiretamente organizações criminosas. Um ofício do CNJ foi enviado ontem ao Ministério Público do Estado e à administração penitenciária, para que o assunto seja investigado.

Em Dourados, os produtos comprados sem licitação e revendidos pela direção do presídio a preços mais altos que os de mercado movimentaram, em setembro, mais de R$ 53 mil e geraram um lucro de R$ 16.506. Dinheiro que, de acordo com a planilha apresentada pela direção do presídio ao CNJ, fica guardado num cofre e é usado para despesas administrativas, como o conserto da máquina de raio X, recarga de cartuchos de impressoras, compra de lâmpadas, remédios, combustível e até spray de pimenta. Essas despesas também foram feitas sem licitação e sem a fiscalização do Ministério Público.

O lucro obtido pelas cantinas deve-se à clientela cativa e aos preços cobrados, que chegam a ser três ou quatro vezes superiores aos valores de mercado. Uma caixa de leite longa vida, por exemplo, custa R$ 4 em um dos presídios de Campo Grande, duas vezes mais que o cobrado nos mercados próximos.

O problema foi primeiramente identificado pela CPI do Sistema Carcerário da Câmara, encerrada em 2008. As investigações da comissão mostraram que o Comando Vermelho controlava cantinas em presídios do Rio. Quando não eram administradas pela organização criminosa, tinham agentes e diretores como donos. Em Nova Iguaçu (RJ), os deputados ouviram dos detentos que tinham de comprar marmitas da cantina pelo menos duas vezes por semana, porque a comida servida pela direção "chega azeda".

Em Porto Alegre, de acordo com o relatório final da CPI, a venda de produtos movimentava R$ 30 mil no presídio central. O negócio era ainda mais lucrativo porque os familiares dos presos eram proibidos de levar, durante as visitas, produtos similares aos vendidos na cantina.

COMÉRCIO PARALELO

A venda de produtos básicos de cozinha mostrou ao CNJ que dentro do presídio de Dourados, por exemplo, há um comércio paralelo de comida.

Um dos detentos compra óleo, açúcar, farinha, leite condensado, ovos e outros produtos para preparar comida, em condições precárias de higiene, para vender aos demais detentos.

Esse comércio paralelo pode provocar conflito entre os presos. A falta de pagamento por parte de um detento, por exemplo, pode acabar em briga, o que compromete a disciplina no presídio. Além disso, como as condições de higiene são precárias, os integrantes do CNJ afirmam que o preparo de comida nas celas pode comprometer a saúde dos presos.


NÚMEROS

R$ 5 é quanto
chega a custar uma lata de refrigerante para os presos que não pertencem a nenhuma facção

R$ 53 mil foi
foi o quanto movimentou em dinheiro o presídio
de Dourados, com produtos comprados sem licitação
e revendidos pela direção do presídio a preços
mais altos que os de mercado

R$ 16.506 foi
o lucro da cantina de Dourados em setembro

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