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sábado, 10 de novembro de 2012

Estudo aponta que população não relaciona violência a jovens negros com discriminação racial






Estudo aponta que grande parte da população brasíleira não tem conciência de que a violência contra os jovens negros está associada a discriminação racial. Menos de 3% dos entrevistados relaciona as duas situações, mas concordam quando questionados se uma situação de violência letal está associada a cor da vítima. A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Luiza Bairros, afirma que a proposta do Plano Juventude Viva atua ativamente para diminuir significativamente os altos índices de violência.



Charge de Latuff
O resultado da investigação sobre violência contra jovens no Brasil foi divulgado nesta quarta-feira (07/11) e resulta de acordo entre o Senado e a SEPPIR no âmbito da campanha Igualdade racial é pra valer.

Mais da metade dos homicídios que ocorrem no Brasil atinge pessoas na faixa etária entre 19 e 29 anos. Para saber o que a população pensa sobre o assunto, o DataSenado realizou a pesquisa de opinião pública Violência contra a Juventude Negra no Brasil, lançada nesta quarta-feira (07/11), no Senado Federal, em Brasília (DF). O estudo é parte do protocolo de intenções firmado entre a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e Senado Federal no âmbito da campanha Igualdade Racial é Pra Valer. 

“A proposta da SEPPIR em relação a essa pesquisa se deveu a uma avaliação que fazemos e que está contemplada no Plano Plurianual (PPA) 2012/2015, que é combater a violência contra a juventude. Em 2009, foram registradas cerca de 19 mil mortes de jovens negros em contraposição a 9 mil mortes de jovens brancos. Os números se revelam por si só, mas o que incomodava era o silêncio da sociedade diante desse quadro. Esperamos que isso se transforme numa questão política sobre a qual todos se debrucem para enfrentar. É o que estamos fazendo no governo com o Juventude Viva, que coordenamos em parceria com a Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), da Secretaria Geral da Presidência da República e a participação de vários ministérios”, afirmou a ministra Luiza Bairros durante o lançamento.

A ministra Luiza Bairros afirmou ainda que, através dessa pesquisa, busca-se se investigar o que é que a sociedade pensa sobre o assunto; até que ponto a sociedade se sente incomodada com a morte de tantos jovens e de tantos jovens negros. “Os resultados vão mais ou menos na direção que já imaginávamos. Um pouco mais da metade dos entrevistados concordou que a morte de um jovem negro choca menos que a de um jovem branco. São indicativos de que devemos ampliar as nossas ações para que esse tipo de clivagem deixe de existir e as mortes de jovens negros não sejam naturalizadas”, concluiu.

O presidente do Senado, José Sarney, também destacou a relevância do estudo para a formulação de políticas públicas e atuação do poder público, assim como para a percepção que a sociedade brasileira tem do problema do racismo e suas consequências. “É importante o envolvimento do Senado na colaboração com o trabalho do Executivo para contribuir para a solução dos problemas do negro no Brasil que, sempre acreditei, tem que ser resolvido pela via da ascensão social”, afirmou o parlamentar. A pesquisa do DataSenado entrevistou 1.234 pessoas de 123 municípios do país, incluindo todas as capitais, no período entre 1º e 11 de outubro deste ano. 

Entre outros objetivos, a investigação buscou dimensionar o problema da violência contra a juventude no país, notadamente a juventude negra, na percepção dos entrevistados; dimensionar os prejuízos para o futuro e o desenvolvimento do Brasil, a partir da verificação da percepção dos impactos negativos dessa situação no conjunto da sociedade; verificar as principais causas identificadas pela população como responsáveis pelos altos índices de mortalidade entre a juventude no país, notadamente a juventude negra.

Do total de pessoas que respondeu o questionário, 57% também se manifestaram com resposta positiva diante da frase “homicídio é a principal causa de morte dos jovens negros”. Percentual semelhante (56,0%) foi registrado para os que concordaram com a afirmação de que “a morte violenta de um jovem negro choca menos a sociedade do que a morte violenta de um jovem branco”.

Além das causas da violência, os entrevistados foram consultados sobre a condição social das vítimas, grau de vulnerabilidade e experiência pessoal com o racismo. A maioria deles considera que as mulheres são mais vulneráveis (67,1%), e os negros são as principais vítimas (66,9%) da violência que, de acordo com pouco mais de um terço dos entrevistados (35,8%), atinge mais os jovens na faixa de 19 a 29 anos.

Combate ao racismo

Na opinião de 36,4% dos entrevistados, a principal ação para combater o racismo deve ser a melhoria do ensino nas escolas. A mudança das leis foi assinalada por 22,7%, enquanto 20,8% consideraram suficiente a garantia do cumprimento das leis existentes. Acrescente-se que 15,7% apontaram as campanhas de conscientização e 2,4% consideraram as ações afirmativas como a principal medida que o governo deve tomar para combater o racismo.

Perguntados sobre as causas, 63,0% atribuíram a violência a aspectos sociais, enquanto 34,8% disseram ser fatores comumente associados ao comportamento juvenil de risco. Quando inquiridos especificamente sobre a principal causa de mortes entre os jovens, a maioria associou ao uso de drogas (56,2%), acidentes de trânsito (22,4%) e a assassinatos (19,8%). 

A pesquisa evidenciou também a importância atribuída à educação e à legislação no enfrentamento ao racismo, refletindo os esforços dos últimos anos para a implementação da Lei Nº. 10.639/2003, que modificou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional tornando obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira na rede escolar.

A noção de que no Brasil a violência mata mais pobres do que ricos é compartilhada por 90,4% dos entrevistados. Também é alta a concordância (80,9%) com a afirmativa de que os jovens brasileiros são vítimas da violência independentemente da cor ou raça.

Cooperação

A pesquisa é um dos produtos do Protocolo de Intenções firmado em fevereiro deste ano, entre o Senado e a SEPPIR no âmbito da campanha Igualdade Racial é Pra Valer, através da qual são estabelecidas parcerias com órgãos do governo, a iniciativa privada e a sociedade civil, fortalecendo a promoção da igualdade racial em diferentes segmentos. A cooperação entre as duas instituições inclui também a realização de um curso de Introdução ao Orçamento Público, que será iniciado nesta quinta-feira (08), envolvendo gestores municipais e estaduais de promoção da igualdade racial de todo o país.

A atividade faz parte da grade de capacitação Desenvolvimento e aprimoramento de cursos à distância, que inclui a oferta de mais três cursos: Orçamento público, na perspectiva de gênero e raça; Políticas públicas de igualdade racial; e curso à distância de História da África.

Além das capacitações, o plano operacional inclui a realização e divulgação da pesquisa de opinião sobre violência e juventude negra, a divulgação da Lei nº 12.288, que institui o Estatuto da Igualdade Racial, e a divulgação de materiais sobre a promoção da igualdade racial produzidos pela SEPPIR e pelo Senado Federal.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Polícia precisa mudar abordagem a negros, diz ministro Gilberto Carvalho



Governo lança Plano de Prevenção à Violência Contra a Juventude Negra.
'Existe tendência de associar o negro ao bandido', diz ministra da Igualdade.



O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da República, e a ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, disseram nesta quarta (26) que a Polícia Civil e Militar precisam mudar o padrão de abordagem aos jovens negros.

Os ministros participaram do programa "Bom Dia Ministro", da TV estatal NBR, para falar sobre a primeira etapa do Plano de Prevenção à Violência Contra a Juventude Negra, que será lançado em Alagoas, nesta quinta-feira (27). O objetivo do plano é reduzir o índice de homicídios de negros no país.
“A forma de a polícia abordar o homem branco e negro é diferenciada. É preciso que haja uma reeducação da Polícia Militar e Polícia Civil para mudar o padrão de abordagem, que já chega suspeitando que o negro é bandido”, disse Carvalho.

“O que tem que fazer é um trabalho na linha do racismo institucional, verificar como determinados estereótipos e preconceitos racistas acabam determinando a forma como eles abordam diferentes tipos de população, e no caso da juventude negra, existe sempre uma tendência de associar o jovem negro ao bandido, ao criminoso”, disse a ministra.

A ministra frisou a importância também não criminalizar expressões culturais de jovens negros como funk, reggae, e hip hop.

Juventude Viva

A primeira etapa do Plano de Prevenção à Violência Contra a Juventude Negra, intitulado “Juventude Viva” será implementada em Maceió por ocupar o primeiro lugar entre os 132 municípios que concentram mais de 70% dos homicídios registrados no país. O projeto será gradativamente estendido a outros estados.

Voltado para jovens de 15 a 29 anos em bairros onde há predominância de negros, o programa será um trabalho conjunto entre os Ministérios da Cultura, Educação, Saúde, Trabalho e Esporte. “Tudo será ancorado em um processo de mobilização das redes de juventude onde se privilegia o protagonismo juvenil”, disse a ministra.

Dados do Ministério da Saúde revelam que 53% dos homicídios registrados no Brasil atingem jovens, das quais mais de 75% são negros, do sexo masculino e de baixa escolaridade. O número de homicídios que atinge jovens brancos caíram de 9.248, em 2000, para 7.065 em 2010. Já os homicídios que atingem jovens negros cresceu de 14.055 para 19.255 mesmo período.

De acordo com o Mapa da Violência 2012, a soma de todos os mortos em conflitos armados em um conjunto de dez países, entre os quais estão Iraque, Índia, Israel e Afeganistão, é menor do que o total de homicídios ocorridos no Brasil no período de 2004 a 2007 (147.373 contra 157.332).

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