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sábado, 26 de julho de 2014

Total de mortos pela PM paulista cresce 111% no Estado


Entre janeiro e junho, 317 pessoas foram mortas por policiais militares em serviço em todo o Estado de São Paulo, o maior número em um primeiro semestre desde 2003 (quando foram 399).

O número supera até o emblemático primeiro semestre de 2006, época dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) e consequente reação da PM, quando foram mortas 290 pessoas por policiais em atividade.

Os 317 mortos representam um aumento de 111,3% em comparação com o mesmo período do ano passado (150).

Na capital, a alta foi ainda maior: 147% (de 66 para 163). Também foi o maior número de mortos pela PM no primeiro semestre desde 2003 (238) e supera o primeiro semestre de 2006 (151 mortos).

O secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, disse que o aumento do total de mortos pela Polícia Militar tem de ser relativizado com o aumento de conflitos da polícia com criminosos.

"Se você relativizar com o aumento do número de confrontos, que é justificado até pelo aumento dos roubos, o porcentual não está muito distante do passado, o que não nos dispensa de pesquisar as causas e trabalharmos para reduzir a letalidade."

Mas Grella não conseguiu detalhar a proporção do aumento desses confrontos. "Estamos pedindo até levantamentos para fazer estudos de caso, mas não estão concluídos."

Esses confrontos, no entanto, estão sendo mais letais para os criminosos. Na comparação entre os primeiros semestres de 2013 e deste ano, o número de policiais militares mortos em serviço caiu de 7 para 6 em todo o Estado e de 5 para 3 na cidade de São Paulo.

sábado, 10 de novembro de 2012

Estudo aponta que população não relaciona violência a jovens negros com discriminação racial






Estudo aponta que grande parte da população brasíleira não tem conciência de que a violência contra os jovens negros está associada a discriminação racial. Menos de 3% dos entrevistados relaciona as duas situações, mas concordam quando questionados se uma situação de violência letal está associada a cor da vítima. A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Luiza Bairros, afirma que a proposta do Plano Juventude Viva atua ativamente para diminuir significativamente os altos índices de violência.



Charge de Latuff
O resultado da investigação sobre violência contra jovens no Brasil foi divulgado nesta quarta-feira (07/11) e resulta de acordo entre o Senado e a SEPPIR no âmbito da campanha Igualdade racial é pra valer.

Mais da metade dos homicídios que ocorrem no Brasil atinge pessoas na faixa etária entre 19 e 29 anos. Para saber o que a população pensa sobre o assunto, o DataSenado realizou a pesquisa de opinião pública Violência contra a Juventude Negra no Brasil, lançada nesta quarta-feira (07/11), no Senado Federal, em Brasília (DF). O estudo é parte do protocolo de intenções firmado entre a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e Senado Federal no âmbito da campanha Igualdade Racial é Pra Valer. 

“A proposta da SEPPIR em relação a essa pesquisa se deveu a uma avaliação que fazemos e que está contemplada no Plano Plurianual (PPA) 2012/2015, que é combater a violência contra a juventude. Em 2009, foram registradas cerca de 19 mil mortes de jovens negros em contraposição a 9 mil mortes de jovens brancos. Os números se revelam por si só, mas o que incomodava era o silêncio da sociedade diante desse quadro. Esperamos que isso se transforme numa questão política sobre a qual todos se debrucem para enfrentar. É o que estamos fazendo no governo com o Juventude Viva, que coordenamos em parceria com a Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), da Secretaria Geral da Presidência da República e a participação de vários ministérios”, afirmou a ministra Luiza Bairros durante o lançamento.

A ministra Luiza Bairros afirmou ainda que, através dessa pesquisa, busca-se se investigar o que é que a sociedade pensa sobre o assunto; até que ponto a sociedade se sente incomodada com a morte de tantos jovens e de tantos jovens negros. “Os resultados vão mais ou menos na direção que já imaginávamos. Um pouco mais da metade dos entrevistados concordou que a morte de um jovem negro choca menos que a de um jovem branco. São indicativos de que devemos ampliar as nossas ações para que esse tipo de clivagem deixe de existir e as mortes de jovens negros não sejam naturalizadas”, concluiu.

O presidente do Senado, José Sarney, também destacou a relevância do estudo para a formulação de políticas públicas e atuação do poder público, assim como para a percepção que a sociedade brasileira tem do problema do racismo e suas consequências. “É importante o envolvimento do Senado na colaboração com o trabalho do Executivo para contribuir para a solução dos problemas do negro no Brasil que, sempre acreditei, tem que ser resolvido pela via da ascensão social”, afirmou o parlamentar. A pesquisa do DataSenado entrevistou 1.234 pessoas de 123 municípios do país, incluindo todas as capitais, no período entre 1º e 11 de outubro deste ano. 

Entre outros objetivos, a investigação buscou dimensionar o problema da violência contra a juventude no país, notadamente a juventude negra, na percepção dos entrevistados; dimensionar os prejuízos para o futuro e o desenvolvimento do Brasil, a partir da verificação da percepção dos impactos negativos dessa situação no conjunto da sociedade; verificar as principais causas identificadas pela população como responsáveis pelos altos índices de mortalidade entre a juventude no país, notadamente a juventude negra.

Do total de pessoas que respondeu o questionário, 57% também se manifestaram com resposta positiva diante da frase “homicídio é a principal causa de morte dos jovens negros”. Percentual semelhante (56,0%) foi registrado para os que concordaram com a afirmação de que “a morte violenta de um jovem negro choca menos a sociedade do que a morte violenta de um jovem branco”.

Além das causas da violência, os entrevistados foram consultados sobre a condição social das vítimas, grau de vulnerabilidade e experiência pessoal com o racismo. A maioria deles considera que as mulheres são mais vulneráveis (67,1%), e os negros são as principais vítimas (66,9%) da violência que, de acordo com pouco mais de um terço dos entrevistados (35,8%), atinge mais os jovens na faixa de 19 a 29 anos.

Combate ao racismo

Na opinião de 36,4% dos entrevistados, a principal ação para combater o racismo deve ser a melhoria do ensino nas escolas. A mudança das leis foi assinalada por 22,7%, enquanto 20,8% consideraram suficiente a garantia do cumprimento das leis existentes. Acrescente-se que 15,7% apontaram as campanhas de conscientização e 2,4% consideraram as ações afirmativas como a principal medida que o governo deve tomar para combater o racismo.

Perguntados sobre as causas, 63,0% atribuíram a violência a aspectos sociais, enquanto 34,8% disseram ser fatores comumente associados ao comportamento juvenil de risco. Quando inquiridos especificamente sobre a principal causa de mortes entre os jovens, a maioria associou ao uso de drogas (56,2%), acidentes de trânsito (22,4%) e a assassinatos (19,8%). 

A pesquisa evidenciou também a importância atribuída à educação e à legislação no enfrentamento ao racismo, refletindo os esforços dos últimos anos para a implementação da Lei Nº. 10.639/2003, que modificou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional tornando obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira na rede escolar.

A noção de que no Brasil a violência mata mais pobres do que ricos é compartilhada por 90,4% dos entrevistados. Também é alta a concordância (80,9%) com a afirmativa de que os jovens brasileiros são vítimas da violência independentemente da cor ou raça.

Cooperação

A pesquisa é um dos produtos do Protocolo de Intenções firmado em fevereiro deste ano, entre o Senado e a SEPPIR no âmbito da campanha Igualdade Racial é Pra Valer, através da qual são estabelecidas parcerias com órgãos do governo, a iniciativa privada e a sociedade civil, fortalecendo a promoção da igualdade racial em diferentes segmentos. A cooperação entre as duas instituições inclui também a realização de um curso de Introdução ao Orçamento Público, que será iniciado nesta quinta-feira (08), envolvendo gestores municipais e estaduais de promoção da igualdade racial de todo o país.

A atividade faz parte da grade de capacitação Desenvolvimento e aprimoramento de cursos à distância, que inclui a oferta de mais três cursos: Orçamento público, na perspectiva de gênero e raça; Políticas públicas de igualdade racial; e curso à distância de História da África.

Além das capacitações, o plano operacional inclui a realização e divulgação da pesquisa de opinião sobre violência e juventude negra, a divulgação da Lei nº 12.288, que institui o Estatuto da Igualdade Racial, e a divulgação de materiais sobre a promoção da igualdade racial produzidos pela SEPPIR e pelo Senado Federal.

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