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terça-feira, 30 de março de 2010

Restrição a armas poupou 13 mil vidas


Pesquisa relaciona queda de homicídios em São Paulo ao Estatuto do Desarmamento

Wilson Tosta - O Estadao de S.Paulo

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da PUC-Rio relaciona a queda no número de homicídios no Estado de São Paulo, entre 2001 e 2007, ao crescimento na apreensão de armas - sobretudo após o Estatuto do Desarmamento entrar em vigor, em dezembro de 2003. O trabalho aponta que, a cada 18 armas apreendidas, foi poupada uma vida.

Segundo a pesquisa, realizada por Daniel Cerqueira, do Ipea, e João Manoel Pinho de Mello, da PUC-Rio, 13 mil pessoas deixaram de ser assassinadas no Estado no período em consequência da apreensão de armas. Ao mesmo tempo, os crimes contra o patrimônio subiram cerca de 20%. Entre eles, os furtos de veículos ficaram estáveis e outros furtos subiram 30%, mostrando que não houve queda generalizada na criminalidade. Também não aumentou o número de prisões.

"A única explicação consistente com a evolução do padrão de criminalidade contra a pessoa e contra o patrimônio entre os municípios paulistas, ao longo do período analisado, tem a ver com o desarmamento", diz Cerqueira. Ele fez o estudo Menos armas, menos crimes: o emblemático caso de São Paulo, ainda inédito, como parte da tese de doutorado em economia na PUC-Rio, sob orientação de Mello, um PhD em economia pela Universidade de Stanford. Para a pesquisa, foram usadas informações da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo e do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde. O trabalho utiliza cálculos matemáticos complexos, além de variáveis que permitem correlacionar armamento e mortes no Estado.

Estatuto. O texto destaca que, de 2001 a 2007, foram apreendidas 228.813 armas no Estado. Segundo a pesquisa, o estatuto, sancionado em 22 de dezembro de 2003, potencializou os esforços de desarmamento, porque restringiu a possibilidade de o cidadão ter acesso a arma de fogo, aumentou o custo de aquisição e registro de armamento e fez subir o risco para o indivíduo de circular armado nas vias públicas (o porte ilegal passou a ser crime inafiançável). No mesmo período, cresceram as lesões corporais dolosas, indicando que muitas disputas violentas antes resolvidas à bala viraram brigas com menor potencial ofensivo.

Na análise da trajetória dos homicídios no período, tomando janeiro de 2001 como base 100 dos números, chega-se a dezembro de 2003 com 80 e, a partir daí, o desempenho para baixo se acentua, chegando a 40 em janeiro de 2007. Nos latrocínios, também partindo de 100 no mesmo mês e ano, sobe-se a pouco menos de 160 em janeiro de 2002, recuando para pouco mais de 100 em dezembro de 2003. Em janeiro de 2007, chegara a menos de 40. Os roubos no Estado foram de 100 a pouco mais de 110, os furtos de veículos começaram em 100 e terminaram em pouco menos de 100, e os outros furtos foram de 100 a mais de 120.

"Os resultados se mantiveram estatisticamente significativos, não apenas ratificando a ideia de "menos armas, menos homicídios", mas ainda indicando que a queda (...) não se deveu apenas a uma diminuição da circulação das armas nas vias públicas, mas também pela diminuição do estoque (...)", diz o texto.



PARA ENTENDER
Alta nos roubos e homicídios em 2009

O Estado de São Paulo registrou aumento nos índices de criminalidade no ano passado. Balanço da Secretaria da Segurança Pública indicou que os roubos em geral, por exemplo, cresceram 18% em 2009 em relação ao ano anterior. O número de roubos de veículos também teve alta no Estado. Foram 177.183 casos, em 2009, ante 159.199, em 2008. A pasta atribuiu a diferença à subnotificação, afirmando que a greve da Polícia Civil em 2008, entre 13 de agosto e 13 de novembro daquele ano, causou uma redução de 21% nos registros das ocorrências de roubos e furtos. Por isso, afirma, é impossível fazer a comparação.
As estatísticas do ano passado mostraram também que o índice de assassinatos voltou a crescer em todo o Estado após uma década. Foram 4.557 mortes registradas em 2009, contra 4.426 em 2008.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Um milhão de armas foram registradas em 2009


Do Conjur

Balanço divulgado nesta sexta-feira (8/1) pelo Ministério da Justiça mostra que ao longo de 2009 foram registradas 1,2 milhão de armas de fogo em todo o país. Com o fim do prazo para recadastramento no último dia 31 de dezembro, quem tem arma em casa sem registro está cometendo crime e pode pegar até três anos de prisão. No último ano foram entregues quase 15 mil armas à Polícia Federal.

Os dados apontam que o brasileiro deixou o cadastro de suas armas para a última hora, já que 20% dos registros ocorreram nos dois últimos dias do ano. Os estados que registraram o maior número de recadastramentos foram São Paulo (244.681), Rio Grande do Sul (171.564), Minas Gerais (129.866) e Paraná (97.178). Desde 2006 foram registradas cerca de 2 milhões de armas e devolvidas mais de 490 mil.

O registro tem validade de três anos. Após esse período é necessário fazer o recadastramento. Neste caso, o cidadão precisará apresentar certidões de nada consta da polícia e da Justiça, fazer exames psicológico e de capacidade técnica, além de pagar uma taxa de R$ 60 à Polícia Federal.

Para quem não regularizou a posse da arma, a única opção para sair da ilegalidade é entregar voluntariamente o equipamento ao governo. A devolução é feita na Polícia Federal e portador tem direito a uma indenização de R$ 100 a R$ 300, conforme o calibre da arma. O ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Barreto, anunciou que o Ministério fará uma campanha para incentivar a devolução de armas. “Passada a fase do registro, é preciso que a população esteja atenta para o fato de que ter uma arma em casa, por si só, já é crime. Por isso, em 2010, vamos intensificar a campanha de devolução no Brasil.”

Ao devolver a arma é necessário portar uma Guia de Trânsito, disponível no site da Polícia Federal, na qual deverá constar o endereço do local onde a arma está guardada e o endereço da unidade da Polícia Federal para o qual o equipamento será entregue. Com informações da Assessoria de Imprensa do Ministério da Justiça.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Distrito Federal lidera ranking de devolução de armas de fogo


Do Estadão

Governo estima que são 17,6 milhões de armas de fogo espalhadas pelo País; mais de 10 milhões são ilegais


O Distrito Federal lidera o ranking de devolução voluntária de armas de fogo, segundo balanço parcial divulgado pela Subcomissão de Armas e Munições da Câmara dos Deputados, a organização não governamental (ONG) Viva Rio e a Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça. O Ranking dos Estados no Controle de Armas mostra o desempenho das 27 unidades da federação no controle de armamentos e munição e no combate ao tráfico ilegal.

No estudo, o governo estima que são 17,6 milhões de armas de fogo espalhadas pelo País, sendo que 10,1 milhões estão em situações ilegais. Destas, 6 milhões seriam usadas pelo crime organizado. Das armas no País, apenas 2 milhões estão em posse do Estado - segurança pública e forças armadas.

Na chamada "Campanha 2", feita em 2008, o Distrito Federal teve uma taxa de 40,2 armas de fogo entregues para cada 10 mil habitantes, o que representa 9.657 armas entregues. O número equivale a 53% do total das 18.121 armas entregues durante a campanha. Mato Grosso foi o único Estado que não teve registro de armas de fogo entregues. Santa Catarina e Acre foram os 2º e 3º Estado no ranking de devolução, com um índice de 1,3 e 1 arma entregue para cada 10 mil habitantes. São Paulo aparece com um índice de 0,7 armas para cada 10 mil pessoas, o que representa a devolução de 2.835 armas.

Apreensão

Além de contabilizar o número de armas entregues, o ranking aponta o número de armas apreendidas no País nos últimos 10 anos, com ênfase no período entre 2003 e 2006. São Paulo teve a maior quantidade de armas apreendidas na média anual, num total de 38.696, seguido pelo Rio de Janeiro, onde 13.663 armas foram recolhidas.

No entanto, o ranking leva em conta o número de armas apreendidas em relação ao número de disponibilidade de armas por Estado. Assim, a Bahia lidera o ranking, com uma taxa de 21,1 mil armas apreendidas para cada 1.000 habitantes. Em seguida aparece MG, com 18,3 mil armas e Rio de Janeiro, com 16,1 mil armas para cada 1.000 habitantes.

Este é o primeiro estudo do desempenho do Poder Público nessa área após a aprovação do Estatuto do Desarmamento. O levantamento também visa a rastrear o caminho percorrido pelas armas ilegais e a identificar os principais canais utilizados por traficantes e contrabandistas.

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