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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Índice de Homicídios na Adolescência: Adolescentes negros e homens são maiores vítimas de homicídios



Os novos dados do Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) mostram que a cada três pessoas, entre mil com 12 anos, morrerão assassinadas antes de completar a maioridade. Jovens do sexo masculino, negros são as maiores vítimas dos assassinatos – e a arma de fogo é o principal meio utilizado - o que aponta a importância do foco em políticas públicas para adolescentes com este perfil. Estudo é realizado pela Secretaria de Direitos Humanos, Unicef, Observatório de Favelas e Laboratório de Análise da Violência (LAV-UERJ).

Muro da rua Tatajuba, divisa entre as
comunidades Nova Holanda e Baixa do
Sapateiro, na Maré.
Foto: Elisângela Leite
Os novos dados do IHA revelam que, para cada mil pessoas de 12 anos, 2,98 serão assassinadas antes de completar a adolescência – o que representa um aumento em relação a 2009, quando o índice foi de 2,61. O relatório traz os números de 2009/2010.

A partir desse índice, é possível estimar que, se as condições que predominavam em 2010 não mudarem, 36.735 adolescentes serão vítimas de homicídio até 2016 – população equivalente, em termos de comparação, a uma cidade de médio porte, como Jundiaí (SP) ou Pelotas (RS).

O IHA foi lançado em 2009 e pretende estimar o risco que adolescentes, com idade entre 12 e 18 anos, têm de perder a vida por causa da violência. Além disso, o estudo avalia fatores que podem influenciar esse risco, como raça e gênero, além da idade e meio (arma de fogo). O IHA pretende ser um instrumento para contribuir no monitoramento desse fenômeno e, também, na avaliação de políticas públicas, tanto municipais, quanto estaduais e federais.

O cálculo dos riscos relativos confirmou a influência de sexo, cor, idade e meio utilizado no homicídio na probabilidade de ser vítima de assassinato. Em 2010, os adolescentes do sexo masculino apresentavam um risco 11,5 vezes superior ao das adolescentes do sexo feminino, e os adolescentes negros, um risco 2,78 vezes superior ao dos brancos. Por sua vez, os adolescentes tinham um risco 5,6 vezes maior de serem atingidos por arma de fogo do que por qualquer outro meio.

O IHA expressa, para um universo de mil pessoas, o número de adolescentes que, tendo chegado à idade de 12 anos, não alcançará os 19 anos, porque será vítima de homicídio. Por outro lado, estima o número de homicídios que se pode esperar ao longo de sete anos (entre os 12 e os 18 anos) se as condições não mudarem.

Hoje, os homicídios representam 45,2% das causas de morte dos adolescentes brasileiros, enquanto para a população total correspondem a 5,1%. Segundo o último levantamento do IBGE (2010), aproximadamente 13% da população brasileira é composta por adolescentes com idade entre 12 e 18 anos.

Ao analisar a evolução do índice desde a sua criação, nota-se que o valor do IHA para o Brasil em 2005 foi de 2,75 mortes para cada grupo de mil adolescentes. Houve redução nos valores do índice até 2007 e estabilidade em 2008 e 2009. Já em 2010 o IHA aumentou significativamente, alcançando o patamar mais elevado da série (2,98).
Sobre o IHA

Baixe o Estudo:
http://migre.me/cmJpK
Desenvolvido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pelo Observatório de Favelas, em parceria com o Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV-UERJ), o IHA está inserido no contexto do Programa de Redução da Violência Letal Contra Adolescentes e Jovens (PRVL).

Em 2010, o estudo avaliou 283 municípios do Brasil com mais de 100 mil habitantes. O município de Itabuna, na Bahia, lidera o ranking de homicídios contra adolescentes entre as cidades brasileiras com mais de 200 mil habitantes, com 10,59 mortes para cada grupo de mil adolescentes. Em seguida, aparecem os municípios de Maceió (AL), com 10,15 e Serra (ES), com 8,92.

O PRVL é realizado em conjunto pela SDH, Unicef e Observatório de Favelas, que coordena o trabalho desenvolvido em parceria com o Laboratório de Análise de Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV-Uerj).

Regiões metropolitanas: Belém (PA); Belo Horizonte (MG); Brasília (DF); Curitiba (PR); Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Maceió (AL); Manaus (AM), Natal (RN), Porto Alegre (RS); Recife (PE); Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ); Salvador (BA); São Paulo (SP); Vitória (ES)

Fonte: Observatório de Favelas e Redes da Maré

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Nº de assassinatos de negros no país sobe 149% em oito anos


O Brasil teve, entre 2002 e 2010, uma queda no número de assassinatos de brancos e um crescimento no número de homicídios de negros. Esse processo aprofundou a maneira desigual com que esse tipo de crime atinge pessoas de cor de pele diferentes.

As conclusões constam do "Mapa da Violência - A Cor dos Homicídios", que não se detêm em explicar as razões do fenômeno. Apresentada hoje pela Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), da Presidência da República, a publicação vem na esteira do lançamento de um programa federal para minorar a violência contra jovens negros.

O "Mapa" mostra que a diferença entre a proporção do número de homicídios cometidos contra negros e brancos aumentou sem parar durante o período analisado --passou de 42,9% em 2002 para 149% em 2010.

No primeiro ano analisado, 45,9 mil pessoas foram assassinadas no Brasil, das quais 41% eram brancas e 58,6% negras. Em 2010, o número total de assassinados teve leve aumento (passou para 49,2 mil), mas a discrepância de ordem racial deu um salto: 28,5% dos mortos eram brancos e 71,1% eram negros.

Com esses dados, o autor do estudo, Julio Jacobo Waiselfisz, concluiu que, para cada uma vítima branca de homicídio, mais de dois negros são assassinados.

Sob o ponto de vista geográfico, o crescimento da violência contra negros se concentra nas regiões Norte e Nordeste (125,5% e 96,7%, respectivamente). As cinco capitais com o maior índice de desigualdade são João Pessoa (PB), Maceió (AL) , Vitória (ES), Recife (PE) e Salvador (BA).

Da Folha de S. Paulo

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