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quinta-feira, 19 de julho de 2012

HSBC lavou dinheiro dos cartéis mexicanos de drogas



Uma investigação de mais de ano, feita pelo Senado dos EUA, concluiu insofismavelmente que a seção norte-americana do banco HSBC lavou dinheiro dos cartéis mexicanos de narcotráfico de 2002 a 2009, apesar dele ter sido advertido por agentes do fisco e até por investigações internas de seus próprios funcionários.

Por Flávio Aguiar, correspondente em Berlim de Carta Maio


De crise em crise, de susto em susto, de revelação em revelação, vem à tona dia após dia o lado mais sinistro do sistema bancário internacional.

Desde 2008, em que pese o esforço midiático de concentrar fogo e visões em torno das “crises das dívidas soberanas”, foi ficando evidente o quanto a desregulamentação do sistema financeiro internacional custou aos cofres públicos das nações – daquelas em crise aberta (como a Grécia) e daquelas que aparentemente sobrenadam no dilúvio (caso da Alemanha). Naqueles sonhos coletivos e individuais se transformam em pesadelos, enquanto direitos individuais e coletivos se desmancham no ar ou às custas de cassetadas ou bombas de gás lacrimogênio nas ruas.

Bilhões de euros são arrancados do poder aquisitivo da população para impor uma “austeridade fiscal” recessiva, depressora, depressiva e deprimento enquanto continua o engorde das taxas de juro extorsivas cobradas para refinanciar a dívida pública, que certamente não serão pagas por nenhum sistema bancário ou financeiro, mas novamente pelas camadas mais frágeis da população, às custas de arcarem com mais pesadelos. Nas que guardam algum resíduo de organização e prosperidade – como a Alemanha – bilhões de euros foram e são transferidos para bancos, oriundos de fundos públicos, quer dizer, também do bolso de contribuintes e trabalhadores, para cobrir contas abertas nacionais e internacionais.

Mas nos últimos dias mais lados sinistros – e mais sinistros – vieram à tona. Semanas atrás foi o caso da manipulação da taxa Libor da banca britânica, promovida pelos representantes do banco Barclays na Associação de Bancos de Londres para favorecer a obtenção e/ou a manutenção de clientes investidores. O banco manipulava seus dados e induzia a manipulação da Libor por parte das autoridades financeiras londrinas para baixo, para parecer mais saudável do que era, a fim de manter clientes; ou inchava a taxa para prometer melhor remuneração para atrair clientes em épocas de escassez. E as autoridades – inclusive do Banco da Inglaterra engoliam as pílulas – isso, pelo menos, de 2007 a 2010. Os prejuízos são incalculáveis, uma vez que a taxa Libor, além de incidir pobre empréstimos entre bancos britânicos, era uma referência mundial no setor.

Agora foi a vez do HSBC (que alguns anos atrás comprou o Banespa, no alegre processo paulista de privatização). Uma investigação de mais de ano, feita pelo Senado norte-americano, concluiu insofismavelmente que a seção norte-americana do banco lavou dinheiro dos cartéis mexicanos de narcotráfico de 2002 a 2009, apesar dele ter sido advertido por agentes do fisco e até por investigações internas de seus próprios funcionários.

Na terça-feira isso redundou numa sessão humilhante para altos executivos do banco, que renunciaram a seus cargos numa sessão pública do comitê do Senado, embora negassem ter “conhecimento completo” das contravenções. Já antes houve uma espécie de “mea culpa” por parte do banco perante um comitê semelhante de autoridades britânicas do setor financeiro.

Além disso, o banco (sempre a seção norte-americana) foi acusado por uma série de outras contravenções, indo desde negócios ocultos com finanças sírias e iranianas, à prestação de serviços para instituições financeiras da Arábia Saudita e de Bangladesh suspeitas de terem financiado em parte a Al Qaeda.

O Barclays já pagou 450 milhões de libras em indenizações a clientes que se julgaram lesados. O Serviço da Autoridade Financeira de Londres vai ser extinto e substituído por outra agência, além de parte de suas atribuições passarem para o Banco da Inglaterra. O HSBC promete uma revisão de seu sistema interno de segurança.

A ver, para crer.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

PCC e Comando Vermelho têm conexões com traficantes bolivianos, diz La Paz


Marina Terra, do Opera Mundi


O cartel mexicano Los Zetas e as organizações criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho operam na Bolívia por meio de clãs de traficantes locais, informou o vice-ministro da Defesa Social, Felipe Cáceres.


"Temos informações de que há conexões entre clãs familiares e narcotraficantes com conexões com o PCC de São Paulo e o Comando Vermelho do Rio de Janeiro. Há pouca informação dos Zetas, mas têm contatos e operam aqui", afirmou ontem (15/7) ao jornal boliviano La Razón.

O cartel Los Zetas, considerado um dos mais violentos do México, foi fundado em 2003 por 31 ex-militares que integravam um grupo de elite do exército mexicano e que desertaram para formar o grupo. Tanto o PCC quanto o Comando Vermelho foram criados em prisões brasileiras: o primeiro, em 1993, na Penitenciária de Taubaté e o segundo, na prisão de Cândido Mendes, Ilha Grande.

O La Razón afirma na reportagem que o chefe da Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN), Félix Molina, revelou que as organizações brasileiras têm emissários na Bolívia e que o Brasil é o principal mercado para a droga boliviana.

O governo boliviano trabalha para conter o tráfico. Cáceres disse que até o dia 12 de julho foram detidos mais de dois mil traficantes, em sua maioria, colombianos, brasileiros e paraguaios. A FELCN apreendeu esse ano 16,8 toneladas de droga, sendo que 47% procedente do Peru. Foram destruídos 15 laboratórios de refino da cocaína.

O vice-ministro anunciou também que em 2010 serão eliminados mais de sete mil hectares de plantações de coca, sem violar os direitos dos cidadãos – a meta governamental é de cinco mil. No entanto, Cáceres ressaltou que mesmo com o trabalho intensivo no governo no combate ao crime organizado, há problemas. “É fato que o tráfico está sempre a frente dos nossos policiais da divisão de anti-narcóticos, já que estão sempre se modernizando.”

Cáceres disse que não há uma conexão direta entre a quantidade de cocaína e o incremento da venda da droga. O vice-ministro afirmou que há mais droga sendo ofertada porque uma tecnologia colombiana de fabricação permite que com menos coca se fabrique maior quantidade da droga. No passado, com 700 libras de pasta de cocaína se produzia um quilo da droga. Mas hoje se produz dois quilos com a mesma quantidade de pasta.

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