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sexta-feira, 29 de março de 2013

A utopia de um mundo sem drogas



Os astecas comiam cogumelos alucinógenos; os antigos hindus fumavam maconha; os romanos misturavam ópio ao vinho. Parece que nunca houve sociedade sem drogas.

Sem contar os usuários das drogas já regulamentadas, como álcool e tabaco, atualmente, entre 3,4% e 6,6% da população adulta do mundo utiliza drogas ilícitas, como maconha, cocaína e anfetaminas.

A maioria destes fará uso eventual, sem maiores consequências ao longo da vida. No entanto, de 10% a 13% desenvolverão problemas de saúde, como dependência, ou contaminação por HIV e doenças infecciosas. O que era para ser recreativo vira patológico.

De cada cem mortes no mundo, uma decorre de atividades relacionadas ao tráfico de narcóticos. Estima-se que os custos dos problemas de saúde relacionados ao uso de drogas ilícitas alcancem de US$ 200 bilhões a US$ 250 bilhões anualmente.

Os prejuízos causados pela atividade ilegal --mas muito lucrativa-- são absorvidos pelo conjunto da população. É como se o povo subsidiasse os traficantes com incentivos fiscais. É o pior de dois mundos.

Em 1961, a ONU aprovou sua Convenção Única sobre Entorpecentes com o objetivo de combater o problema das drogas por meio da repressão à posse, ao uso e à distribuição.

O documento, assinado por 184 países, tornou-se, em grande parte, base conceitual para a elaboração das legislações mundiais sobre o tema.

No entanto, mesmo em países com leis especialmente severas, como Arábia Saudita e Cingapura, o tráfico e o consumo de drogas persistem. O exemplo clássico da ineficácia desse enfoque, a Lei Seca, tentou proibir o consumo de álcool nos EUA entre 1920 e 1933. O que acabou conseguindo foi transformar Chicago num antro de crime e criar personagens da linhagem de Al Capone.

Enquanto se persegue a utopia do mundo sem drogas, o comércio internacional de entorpecentes movimenta cerca de US$ 300 bilhões por ano. Em lugar de contribuir com impostos, esse dinheiro paga propinas e estimula a corrupção das instituições democráticas.

A história mostra que parte da população mundial vai continuar se drogando. Mesmo que, para isso, tenha de desafiar as leis. Se políticas de repressão estrita funcionassem, o Irã não teria uma das legislações mais severas quanto ao tema e um dos piores índices de dependência de heroína do mundo.

Os países que resolveram enfrentar a questão por meio de políticas inovadoras, que consideram o tema como de saúde pública e incluem a descriminalização do consumo de drogas leves, como a maconha, têm tido resultados encorajadores na reabilitação de usuários e no combate à criminalidade e outras consequências negativas da dependência.

A proibição das drogas só dá lucro aos traficantes. Não elimina o consumo nem seus efeitos deletérios, mas impede o controle, a tributação e potencializa o problema. Torna-se um fator de corrupção. Mas, acima de tudo, é irrealista. É tempo de considerar que "um mundo livre de drogas", como quis a ONU, talvez não seja possível. O jeito é conviver com elas pagando o menor preço.

Por Alexandre Vidal Porto: é escritor e diplomata. Mestre em direito pela Universidade Harvard, trabalhou nas embaixadas em Santiago, Cidade do México e Washington e na missão do país junto à ONU, em Nova York. Escreve aos sábados, a cada duas semanas, no caderno "Mundo".

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Brasil é o maior mercado consumidor de crack do mundo, aponta estudo





Dedos queimados pelo uso de crack (Foto: Marcello Casal)
O Brasil é o maior mercado mundial do crack e o segundo maior de cocaína, conforme resultado de pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os dados do estudo - que ouviu 4,6 mil pessoas com mais de 14 anos em 149 municípios do país – foram apresentados hoje (05) na capital paulista.

Os resultados do estudo, que tem o nome de Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), apontam ainda que o Brasil representa 20% do consumo mundial do crack. A cocaína fumada (crack e oxi) já foi usada pelo menos uma vez por 2,6 milhões de brasileiros, representando 1,4% dos adultos. Os adolescentes que já experimentaram esse tipo da droga foram 150 mil, o equivalente a 1%.

De acordo com o relatório, cerca de 4% da população adulta brasileira, 6 milhões de pessoas, já experimentaram cocaína alguma vez na vida. Entre os adolescentes, jovens de 14 a 18 anos, 44 mil admitiram já ter usado a droga, o equivalente a 3% desse público. Em 2011, 2,6 milhões de adultos e 244 mil adolescentes usaram cocaína. 

O levantamento do Inpad revelou também que a cocaína usada via intranasal (cheirada) é a mais comum. Aproximadamente 5,6 milhões de pessoas já a experimentaram na vida e, somente no último ano, 2,3 milhões fizeram uso. Entre os adolescentes, o uso é menor, 316 mil experimentaram durante a vida e 226 mil usaram no último ano.

A pesquisa também comparou o consumo de cocaína nas regiões brasileiras em 2011. No Sudeste está concentrado o maior número de usuários, 46% deles. No Nordeste estão 27%, no Norte 10%, Centro-Oeste 10% e Sul 7%. Relatórios com resultado e metodologia estão na página do Inpad na internet.

Edição: Davi Oliveira

quinta-feira, 19 de julho de 2012

HSBC lavou dinheiro dos cartéis mexicanos de drogas



Uma investigação de mais de ano, feita pelo Senado dos EUA, concluiu insofismavelmente que a seção norte-americana do banco HSBC lavou dinheiro dos cartéis mexicanos de narcotráfico de 2002 a 2009, apesar dele ter sido advertido por agentes do fisco e até por investigações internas de seus próprios funcionários.

Por Flávio Aguiar, correspondente em Berlim de Carta Maio


De crise em crise, de susto em susto, de revelação em revelação, vem à tona dia após dia o lado mais sinistro do sistema bancário internacional.

Desde 2008, em que pese o esforço midiático de concentrar fogo e visões em torno das “crises das dívidas soberanas”, foi ficando evidente o quanto a desregulamentação do sistema financeiro internacional custou aos cofres públicos das nações – daquelas em crise aberta (como a Grécia) e daquelas que aparentemente sobrenadam no dilúvio (caso da Alemanha). Naqueles sonhos coletivos e individuais se transformam em pesadelos, enquanto direitos individuais e coletivos se desmancham no ar ou às custas de cassetadas ou bombas de gás lacrimogênio nas ruas.

Bilhões de euros são arrancados do poder aquisitivo da população para impor uma “austeridade fiscal” recessiva, depressora, depressiva e deprimento enquanto continua o engorde das taxas de juro extorsivas cobradas para refinanciar a dívida pública, que certamente não serão pagas por nenhum sistema bancário ou financeiro, mas novamente pelas camadas mais frágeis da população, às custas de arcarem com mais pesadelos. Nas que guardam algum resíduo de organização e prosperidade – como a Alemanha – bilhões de euros foram e são transferidos para bancos, oriundos de fundos públicos, quer dizer, também do bolso de contribuintes e trabalhadores, para cobrir contas abertas nacionais e internacionais.

Mas nos últimos dias mais lados sinistros – e mais sinistros – vieram à tona. Semanas atrás foi o caso da manipulação da taxa Libor da banca britânica, promovida pelos representantes do banco Barclays na Associação de Bancos de Londres para favorecer a obtenção e/ou a manutenção de clientes investidores. O banco manipulava seus dados e induzia a manipulação da Libor por parte das autoridades financeiras londrinas para baixo, para parecer mais saudável do que era, a fim de manter clientes; ou inchava a taxa para prometer melhor remuneração para atrair clientes em épocas de escassez. E as autoridades – inclusive do Banco da Inglaterra engoliam as pílulas – isso, pelo menos, de 2007 a 2010. Os prejuízos são incalculáveis, uma vez que a taxa Libor, além de incidir pobre empréstimos entre bancos britânicos, era uma referência mundial no setor.

Agora foi a vez do HSBC (que alguns anos atrás comprou o Banespa, no alegre processo paulista de privatização). Uma investigação de mais de ano, feita pelo Senado norte-americano, concluiu insofismavelmente que a seção norte-americana do banco lavou dinheiro dos cartéis mexicanos de narcotráfico de 2002 a 2009, apesar dele ter sido advertido por agentes do fisco e até por investigações internas de seus próprios funcionários.

Na terça-feira isso redundou numa sessão humilhante para altos executivos do banco, que renunciaram a seus cargos numa sessão pública do comitê do Senado, embora negassem ter “conhecimento completo” das contravenções. Já antes houve uma espécie de “mea culpa” por parte do banco perante um comitê semelhante de autoridades britânicas do setor financeiro.

Além disso, o banco (sempre a seção norte-americana) foi acusado por uma série de outras contravenções, indo desde negócios ocultos com finanças sírias e iranianas, à prestação de serviços para instituições financeiras da Arábia Saudita e de Bangladesh suspeitas de terem financiado em parte a Al Qaeda.

O Barclays já pagou 450 milhões de libras em indenizações a clientes que se julgaram lesados. O Serviço da Autoridade Financeira de Londres vai ser extinto e substituído por outra agência, além de parte de suas atribuições passarem para o Banco da Inglaterra. O HSBC promete uma revisão de seu sistema interno de segurança.

A ver, para crer.

domingo, 6 de junho de 2010

Tráfico de drogas fatura R$ 1,4 bilhão por ano no país


Marinella Castro e Zulmira Furbino - do Correio Braziliense


B. B. F., 35 anos, atua há 15 anos no mesmo ramo. Apesar dos altos e baixos do mercado, ele sempre se manteve fiel à venda do mesmo produto. Do dia 1º ao dia 10 de cada mês, ganha R$ 15 mil. Nos 20 dias que restam, garante cerca de R$ 20 mil. Por ano, seu faturamento chega a R$ 420 mil. O lucro líquido obtido com o negócio atinge 80%. B. é o último elo entre o atacado e o varejo de uma indústria que fatura por ano R$ 1,4 bilhão no Brasil e US$ 320 bilhões no mundo: o tráfico de drogas.

No mercado interno, a venda de cocaína, maconha, crack, ecstasy e heroína movimenta o suficiente para comprar 13 bancos Mercantil do Brasil, 19 fábricas de brinquedo Tectoy ou 13 refinarias de petróleo Manguinhos, tomando como referência o valor de mercado dessas empresas no fim do ano passado. Já a movimentação financeira do tráfico no mundo equivale a três vezes o faturamento de 2009 da Petrobras e bate a soma das receitas brutas da estatal do petróleo, do Itaú, do Banco do Brasil, do Bradesco e da Vale no mesmo período.

Os números relativos ao faturamento no mercado interno foram estimados pela reportagem a partir do cruzamento de dados constantes no último relatório mundial do escritório da Organização das Nações Unidas Sobre Drogas e Crimes (Undoc).

O tráfico de drogas envolve uma complexa cadeia econômica que começa com a produção na América do Sul, em países como Bolívia, Colômbia e Paraguai. O Brasil é uma importante rota que permite, principalmente, o abastecimento do mercado europeu. Como em qualquer outra área, a lógica do negócio é a mesma que rege a economia de mercado. "No combate ao tráfico de drogas, é preciso um olhar racional. Os usuários são consumidores que querem um produto (a droga) e que não deixarão de comprá-lo. A novidade é encarar o mercado de produtos ilegais como uma atividade econômica e, então, buscar maneiras para que o Estado possa intervir de forma efetiva nesse mercado", diz Cláudio Chaves Beato Filho, coordenador-geral do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Se é assustador saber que as vendas de drogas no país garantem rendimentos que ultrapassam a casa do bilhão de reais, comparar o seu valor de mercado com a cotação internacional das principais commodities exportadas pelo Brasil pode dar uma ideia do peso do tráfico na economia mundial. Mesmo levando em conta que o grama de cocaína custa hoje três vezes menos que há 10 anos, a lucratividade do produto no atacado é praticamente imbatível. E o mesmo acontece com outras drogas. Enquanto uma tonelada de bobina a quente, o principal produto da indústria siderúrgica mundial, é vendida no mercado internacional por US$ 750, no atacado, a tonelada de cocaína custa US$ 3 milhões.

Commodities agrícolas

Os preços de produtos como o crack, a maconha, o ecstasy e a heroína também deixam para trás as principais commodities agrícolas. A saca de 60 quilos de café vale US$ 177, enquanto um só quilo de maconha custa US$ 150 na cotação internacional. "O tráfico de drogas é um negócio muito lucrativo e vem daí a dificuldade de combatê-lo. Um quilo de pasta de cocaína é comprado por US$ 5 mil do produtor, mas o produto final é vendido aos consumidores na Europa por US$ 30 mil o quilo", diz José Vicente da Silva Filho, ex-secretário nacional de Segurança Pública e diretor do Instituto Pró-Polícia de São Paulo.

Rota internacional

Saiba como operam os elos da cadeia do tráfico na América do Sul e no Brasil:

# A produção geralmente ocorre na Bolívia, na Colômbia e no Paraguai

# Grandes distribuidores são responsáveis por levar os produtos em segurança até o Brasil, onde terão destino final, passando por redes nacionais e regionais

# A droga chega aos distribuidores locais que revendem o produto no varejo

# O distribuidor local tem sua rede nas chamadas bocas de venda de drogas em vilas e favelas

# Nas vilas e favelas, vende-se o produto em gramas, pedras, comprimidos ou papelotes. Ali, o tráfico perde a sua conotação de crime organizado. O lucro cai e a criminalidade cresce

Fonte: Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da UFMG

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Brasil e Paraguai decidem aplicar medidas conjuntas para combater narcotráfico na fronteira


Do UOL Notícias

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega paraguaio Fernando Lugo resolveram aplicar medidas conjuntas para combater a violência do narcotráfico, em um encontro realizado nesta segunda-feira (3) na fronteira, onde as cidades de Ponta Porã (Brasil) e Pedro Juan Caballero (Paraguai) são separadas apenas por uma avenida.
Esteve presente no encontro o senador governista paraguaio Robert Acevedo, sobrevivente de um atentado promovido por traficantes há oito dias a alguns metros do local onde estavam os chefes de Estado nesta segunda-feira.

Os presidentes instalaram uma placa em memória dessa reunião na avenida que serve de divisão entre os dois países. "Os traficantes se meteram com os governos de Brasil e Paraguai. Agora vamos enfrentá-los", disse Lula ao anunciar que ambos os países deverão encarar um combate frontal contra os traficantes.

O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que está na comitiva brasileira, anunciou que o governo lançará um programa para reforçar a segurança nas regiões de fronteira e para integrar o policiamento nos Estados brasileiros que fazem limite com países vizinhos.

Segundo o ministro, serão instaladas bases conjuntas das polícias estaduais, da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança Pública nos 11 Estados brasileiros que fazem fronteira com países vizinhos e em Brasília.

Barreto afirmou que as bases devem entrar em operação ainda neste ano e envolverão investimentos de cerca de R$ 60 milhões. Segundo o ministro, policiais já começaram a ser treinados em Brasília.

Narcotráfico

O senador Acevedo admitiu à agência AFP que sua vida continua em perigo por conta das denúncias que fez. "Preciso que o governo me proteja, a mim e a minha família, para continuar vivo", declarou.

"Nem usando a violência contra um senador ou matando seus guarda-costas ou proferindo ameaças eles vão conseguir intimidar os governos de Brasil e Paraguai", disse Lula.

No atentado contra o senador paraguaio, dois guarda-costas do parlamentar morreram.

Acevedo afirmou que o narcotráfico movimenta em torno de US$ 50 milhõespor ano, apenas na fronteira entre Brasil e Paraguai. "Se não determos (o tráfico) agora, essa região vai se tornar uma Ciudad Juárez (México) em pouco tempo", enfatizou.

Estado de exceção

Durante a entrevista coletiva nesta segunda-feira, Barreto afirmou que o Brasil já vem monitorando a situação da criminalidade no Paraguai há algum tempo, mas disse que a questão do estado de exceção é um "assunto interno" do país vizinho.

Há pouco mais de uma semana, o governo paraguaio aprovou uma declaração de estado de exceção em cinco Departamentos (Estados) do país, sob o pretexto de combater um grupo armado intitulado Exército do Povo Paraguaio, que é acusado de sequestros na região.

Entre os Departamentos que estão sob o estado de exceção –que autoriza que o Exército atue no combate aos grupos criminosos– está Amambay, cuja capital é a cidade de Pedro Juan Caballero, que faz fronteira com Ponta Porã.

Durante a visita a Ponta Porã, no entanto, o ministro negou que o grupo armado atue dentro das fronteiras brasileiras.

"Não há nenhuma informação de nossa inteligência sobre a atuação de nenhum grupo paraguaio no Brasil", disse o ministro, que afirmou que o Brasil "continuará cooperando" com o Paraguai no combate à criminalidade.

Barreto ainda disse que não há evidências de que os brasileiros que foram presos acusados de envolvimento no atentado contra o senador paraguaio Robert Acevedo, na última segunda-feira, tenham ligação com qualquer grupo criminoso brasileiro.

Acevedo responsabilizou integrantes do grupo PCC, que atua em penitenciárias paulistas, pelo ataque.

*Com informações das agências internacionais



quinta-feira, 1 de abril de 2010

Base multinacional contra o tráfico pode ser instalada neste ano, no RJ


Unidade, que deve funcionar no Rio, faz parte de projeto maior que prevê a criação de Centro Integrado de Combate ao Narcotráfico em Brasília

Rafael Moraes Moura - O Estado de S.Paulo

A base multinacional civil de controle e combate ao narcotráfico e contrabando, no Rio de Janeiro, deve começar a funcionar ainda neste ano. Junto com outras duas bases existentes, em Key West (Flórida, Estados Unidos) e Lisboa (Portugal), a do Rio formaria um tripé de monitoramento.

A iniciativa faz parte de um projeto maior, que prevê a criação de um Centro Integrado de Combate ao Narcotráfico (Cicon) em Brasília, já neste primeiro semestre.

Ontem, o Estado revelou que, por sugestão da Polícia Federal, o governo brasileiro discutiu com o comandante do Comando Sul dos EUA, tenente-brigadeiro Douglas Fraser, a criação da base civil no Rio, que deve funcionar dentro das instalações da Marinha.

Fraser passou a terça-feira passada em Brasília, onde teve encontros com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e com o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa.

A base do Rio trabalharia em parceria com o centro de combate ao narcotráfico de Brasília. A ideia é reunir em um mesmo espaço os representantes da Polícia Federal, da Marinha, da Aeronáutica, do Exército e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

O Estado apurou que também está nos planos a criação de uma base em Manaus no mesmo molde.

Como a base de Key West combate o tráfico na região do Caribe e a de Lisboa exerce controle sobre o Atlântico Norte, a base do Rio serviria como um posto avançado de monitoramento no Atlântico Sul.

Comando. Agências internacionais de combate ao narcotráfico e representantes de outros países podem ser chamados para participar do monitoramento, mas o comando continuaria sendo brasileiro.

As experiências estrangeiras são as referências do trabalho a ser aperfeiçoado no Brasil.

Em Key West, a força-tarefa montada aproximou os departamentos de Defesa e de Segurança Nacional, agências federais e forças aliadas. O grupo de cooperação conta ainda com um adido brasileiro e representantes de Argentina, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.

O Planalto está para definir o adido que vai trabalhar na base de Lisboa.

Parceria. No Brasil, a Polícia Federal faz parcerias com a Aeronáutica no combate ao tráfico de drogas. No ano passado, a cooperação acabou resultando na apreensão de 2 toneladas de cocaína, do total de 19 toneladas recolhidas pelo órgão.

A cocaína é a principal droga "escoada" pelo território nacional ? proveniente da Colômbia, Peru e Bolívia. Depois de chegar ao País, parte é consumida aqui e o restante é enviado para Europa ou países da costa oeste africana.

Os trabalhos conjuntos, no entanto, são eventuais. Com o centro em Brasília e as futuras bases no Rio e em Manaus, o objetivo das autoridades é racionalizar recursos, somar forças e estabelecer uma comunicação integrada entre as diferentes entidades.

"A Força Aérea Brasileira tem os seus aviões, a Marinha possui os seus navios, a Polícia Federal conta com os seus agentes. Agora, só precisamos conjugar esforços e trabalhar em conjunto", argumenta um diretor que acompanha as discussões.

quarta-feira, 31 de março de 2010

EUA e Brasil discutem montar base civil antinarcotráfico no Rio


Objetivo seria reforçar combate ao narcotráfico e ao contrabando, sempre sob o comando de brasileiros

Rui Nogueira, Rafael Moraes Moura - O Estado de S.Paulo


Por sugestão da Polícia Federal, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu ontem com o comandante do Comando Sul dos EUA, tenente-brigadeiro Douglas Fraser, a proposta de criação de uma base "multinacional e multifuncional" que teria sede no Rio de Janeiro.

A base formaria, com duas já existentes, em Key West (EUA) e em Lisboa (Portugal), o tripé de monitoramento, controle e combate ao narcotráfico e contrabando, principalmente de armas, além de vigilância antiterrorista.

Douglas Fraser passou o dia de ontem em Brasília. Após reunião de trabalho e almoço com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o comandante americano encontrou-se com o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa.

A PF já tem um adido de inteligência trabalhando na base de Key West, na Flórida. O Planalto está para decidir se o adido junto à base de Lisboa será um delegado federal ou um oficial da Marinha.

A base no Rio, assim como as outras duas, não admite operações sob comando de estrangeiros. Os países que aceitam participar dos programas de cooperação de combate ao crime organizado enviam adidos que atuam sempre sob supervisão dos agentes do país soberano sobre a base. A ideia é que com a base da Flórida, que vigia de perto o tráfico no Caribe, e a de Lisboa, que exerce controle sobre o Atlântico Norte, a base brasileira sirva como posto avançado de monitoramento do Atlântico Sul.

Tragédia. Key West é uma base aérea e naval que atua em cooperação com os departamentos de Defesa e de Segurança Nacional, agências federais e forças aliadas. Desde 1989, possui força-tarefa de inteligência que conduz operações contra o narcotráfico no Caribe e na América do Sul. Foi de lá que partiu o primeiro avião de resgate no caso da tragédia do voo AF 447, da Air France, em junho passado, no litoral do Brasil, perto de Fernando de Noronha. Notificada do acidente, a base mobilizou o adido brasileiro, que providenciou o início do socorro.

O grupo de agentes da força-tarefa de Key West tem como objetivo combater o cultivo, a produção e o transporte de narcóticos. Os governos britânico, francês e holandês contribuem com o envio de navios, aeronaves e oficiais. O grupo reúne ainda representantes de Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e outros países latino-americanos.

A presença dos Estados Unidos na região começou em 1823, com o objetivo de combater a pirataria local. Foi usada inicialmente como patrulha de operações submarinas e como estação de treinamento aéreo, utilizada por mais de 500 aviadores na época da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Em 1940, ganhou a designação de base aérea e naval.

Em Lisboa, a base naval fica à margem do Rio Tejo, no Perímetro Militar do Alfeite. Foi criada em dezembro de 1958.

Fraser também veio ao Brasil para organizar a viagem do secretário de Defesa dos EUA, prevista para meados de abril. A visita é retribuição da viagem de Jobim aos EUA, em fevereiro, em Nova York. Em pauta, a cooperação estratégica militar entre os dois países, a compra de caças pelo Brasil e o interesse dos EUA em adquirir aviões de treinamento - a Embraer produz o Supertucano. A americana Boeing produz o F-18, Super Hornet, que está entre os três classificados na concorrência da FAB.

domingo, 21 de março de 2010

Aqui funk proibido. No méxico grupos musicais e ópera exaltam traficantes

Por Cecília Olliveira

Quando ouvimos os "proibidões" (funks acusados de fazer "apologia" ao crime, geralmente ao tráfico) temos a (falsa) impressão de que isso acontece por que aqui é Brasil.

Pra mostrar que não é bem assim, posto abaixo o vídeo do grupo mexicano Los Tigres del Norte, como prova de que o mapa mundial da droga inclui a "mídia alternativa" de traficantes de drogas.

O vídeo conta e canta um dos fatos mais famosos do tráfico mundial, a hisória de Emilio Varela e Camelia la tejana. Há alguns dias atrás foi lançada uma ópera no México com o assunto.





Salieron de San Isidro
Procedentes de Tijuana
Traían las llantas del coche
Repletas de marihuana

Eran Emilio Varela y Camelia la tejana
Pasaron por San Clemente
Los paró la inmigración
Les pidió sus documentos
Les dijo...¿De donde son?
Ella era de San Antonio
Una hembra de corazón

Una hembra si quiere a un hombre
Por el puede dar la vida
Pero hay que tener cuidado
Si esa hembra se siente herida
La traición y contrabando
Son cosas incompartidas

A Los Angeles llegaron
Pa'Halywude se pasaron
En un callejón obscuro
Las cuatro llantas cambiaron

Ahí entregaron la hierba
Y ahí también se las pagaron
Emilio dice a Camelia
Hoy te das por despedida
Con la parte que te toca
Ya puedes rehacer tu vida
Yo me voy pa'San Francisco
Con la dueña de mi vida

Sonaron siete balazos
Camelia a Emilio mataba
La policiá solo halló
Una pistola tirada
Del dinero y de Camelia
Ya jamas se supo nada
Nada, nada
Tantarreatatenterre

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A guerra sangrenta escolhida por Calderón

Do Estadão

''Luta que não pode ser vencida''

O historiador Jorge Castañeda analisa a ofensiva contra as drogas lançada pelo presidente mexicano, Felipe Calderón, que na quarta-feira obteve um grande trunfo com a morte de Arturo Beltrán Leyva, chefe de um importante cartel do narcotráfico. O autor defende que outras guerras sejam lançadas - contra a pobreza e crimes menores e pelo crescimento econômico -, pois acredita que não se pode prolongar uma luta (contra as drogas) que não pode ser vencida.


Jorge G. Castañeda*

Há três anos, o presidente mexicano, Felipe Calderón, vestiu uniforme militar e declarou guerra total às drogas, ordenando a entrada do Exército nas ruas, estradas e povoados do México. Na época, Calderón recebeu amplo apoio, tanto internamente como no exterior, pelo que era visto como uma decisão corajosa, atrasada e necessária. Previam-se resultados tangíveis no curto prazo.

Além disso, o governo de George W. Bush rapidamente prometeu ajuda americana - a chamada Iniciativa Mérida, assinada em fevereiro de 2007 - e pesquisas de opinião mostraram que Calderón havia deixado para trás no mesmo golpe as mazelas de sua vitória eleitoral apertada e questionada, conquistando a confiança do povo mexicano. Mas hoje as coisas parecem muito diferentes.

Num recente debate com, entre outros, Fareed Zakaria da Newsweek e CNN, Asa Hutchison, ex-chefe do Departamento americano de Combate às Drogas (DEA), a principal questão era se os EUA eram culpados da guerra às drogas no México. Eu comentei que a culpa não cabia nem aos EUA nem ao México; cabia somente a Calderón. Assim como a invasão do Iraque de Bush, a guerra às drogas do México era uma guerra de escolha. Era uma guerra que Calderón não devia ter declarado, que não podia ser vencida, e que está causando estragos enormes no México.

Hoje, um número crescente de mexicanos partilha essa visão. Enquanto a guerra se arrasta, resultados positivos não são vistos em nenhum lugar enquanto a violência sofre uma escalada no país. No dia 9, segundo o diário Reforma, 40 pessoas morreram em tiroteios entre polícia e Forças Armadas e os cartéis da droga. Mais de 6.500 mortes ocorreram neste ano, superando o total do ano passado, que foi o dobro de 2007.

Acredito que Calderón declarou essa guerra porque sentiu necessidade de se legitimar perante o povo mexicano por causa das dúvidas que cercavam sua vitória na eleição presidencial de 2006 - dúvidas que seus seguidores, como eu, nunca compartilharam. E acredito que ela não pode ser vencida porque não pode cumprir os pressupostos da Doutrina Powell, elaborados 18 anos atrás por Colin Powell, então comandante do Estado-Maior Conjunto americano em relação à Guerra do Golfo.

Powell enumerou quatro condições que precisam ser satisfeitas para se ter sucesso numa ação militar. Uma era a mobilização de uma força claramente superior, que os militares mexicanos não têm. Outra é uma vitória definível, que nunca se alcança numa guerra à droga (um termo usado pela primeira vez por Richard Nixon no fim dos anos 60). A terceira era ter uma estratégia de saída desde o começo, que Calderón não tem porque ele não pode nem se retirar em derrota em seu próprio país, nem se retirar e declarar vitória. Calderón ainda goza de apoio do público - a quarta condição de Powell -, mas está começando a perdê-lo.

Nos últimos três anos, mais de 15 mil mexicanos morreram na guerra ao narcotráfico. Human Rights Watch, Anistia Internacional e o Conselho de Direitos Humanos da ONU documentaram tudo, com mais ou menos evidências e precisão, uma proliferação de abusos. Das mais de 220 mil pessoas detidas por acusações relacionadas a drogas desde que Calderón tomou posse, três quartos foram soltos. Somente 5% das restantes 60 mil foram julgadas e sentenciadas.

Enquanto isso, as áreas usadas para a produção de papoula e maconha cresceram, segundo o governo americano, para 6.900 e 8.900 hectares, respectivamente. As restrições ao tráfico de cocaína da América do Sul para os EUA fizeram com que o preço da droga sofresse uma forte alta em 2008. O preço se estabilizou em 2009 em níveis bem acima de seus picos históricos nos anos 90.

Segundo o Relatório sobre Estratégia de Controle Internacional de Narcóticos do governo americano, as apreensões de ópio, heroína e maconha diminuíram desde que Calderón iniciou sua guerra e a produção de drogas no México está em crescimento. Em 2008, segundo o Departamento de Estado americano, a produção potencial de heroína subiu para 18 toneladas métricas ante 13 toneladas métricas em 2006, enquanto a produção de ópio cresceu de 110 toneladas para 149 toneladas métricas no período. A produção de maconha cresceu de 300 toneladas métricas para 15.800 toneladas métricas. Em outras palavras, desde que Calderón iniciou sua ofensiva mais drogas mexicanas estão no mercado, e não menos.

Não há maneira fácil de sair desse atoleiro. A Força Policial Nacional que os três últimos presidentes do México - Ernesto Zedillo, Vicente Fox e Calderón - tentaram criar, não está absolutamente preparada para substituir o Exército nas tarefas de combate ao narcotráfico. A ajuda americana, como um relatório do Departamento de Contabilidade Geral dos EUA deixou claro no início do mês, está chegando em conta-gotas.

Na verdade, por alguns cálculos, somente 2% do projetado US$ 1,3 bilhão de ajuda foram desembolsados. Talvez a solução menos ruim seria proceder espontaneamente: permitir gradualmente que a guerra ao narcotráfico desapareça das tevês e jornais, e ter seu lugar ocupado por outras guerras - contra a pobreza e os crimes menores, e pelo crescimento econômico. Isso pode não ser o ideal, mas é melhor que prolongar uma luta que não pode ser vencida.

*Jorge Castañeda é historiador e foi chanceler (2000-2003)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Morto o "chefe dos chefes" do narcotráfico mexicano

Com informações do El Mundo

O chefe dos chefes do narcotráfico mexicano,
mais conhecido como "O Barga", foi morto pelo Exército Mexicano durante operação numa cidade a uma hora da capital. Beltrán também era chamado de "A Morte", devido ao seu estilo sanguinário no comando do cartel de Sinaloa.

Na verdade o Exército mexicano estava à procura de Edgar Baldés Villareal, o 'La barbie', mas se deparou com Beltrán Leyva. No país, seu poder de influência é comparado à relação entre Colômbia x EUA, no tocante ao tráfico.

De acordo com o jornal El Mundo, a sua captura não foi fácil e mobilizou um verdadeiro front de guerra em meio a uma cidade que é conhecida como lugar de descanso para classe A, mas que na oportunidade, virou um campo de batalha, com lançamento de granadas, uso de armas longas e “muchas balas”.

Saiba mais.


sábado, 17 de outubro de 2009

Obama anuncia interdição aérea contra narcotráfico no Brasil


Determinação afirma que o governo brasileiro tomou as medidas necessárias para proteger a vida de inocentes

Do Estadão

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou neste sábado a interdição aérea de aviões que poderiam transportar drogas ilegais sobre território brasileiro.

Em uma "determinação presidencial" dirigida aos departamentos de Estado e de Defesa, o líder assinalou que a interdição "é necessária devido à extraordinária ameaça que representa o tráfico de drogas à segurança dessa nação".

Acrescentou que a interdição inclui, pelo menos, o uso de meios efetivos para identificar e advertir um avião suspeito de transportar drogas antes do uso da força. A determinação presidencial indicou que o Governo do Brasil tomou as medidas apropriadas para proteger a vida de inocentes tanto no ar como em terra.

A nota instruiu ao Departamento de Estado a publicar a decisão na Gazeta Federal e a notificar ao Congresso.

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