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quarta-feira, 15 de maio de 2013

B.O. Coletivo: Iniciativa popular em Porto Alegre mapeia pontos de roubos e furtos




Por Cecília Olliveira


O B.O. Coletivo surgiu no OuiShare Fest Porto Alegre, evento satélite do maior festival de economia colaborativa da Europa, realizado no começo de maio/2013. Em um desafio de "ativismo urbano", um grupo recebeu como tema a SEGURANÇA.


Após conversas e reflexões surgiu a ideia do B.O. Coletivo, cuja premissa é um mapeamento coletivo e colaborativo de lugares onde as pessoas foram vítimas de assaltos e furtos na capital do Rio Grande do Sul. 

Funciona com uma espécie de tagueamento offline de lugares inseguros na cidade. Embora o projeto tenha começado em projeto Porto Alegre, a ideia é leva-la para outros municípios. 

Os objetivos principais do mapeamento são chamar a atenção das autoridades para locais da cidade que não oferecem segurança à população e alertar as pessoas sobre os riscos de circular nestes locais. A idealizadora do projeto é a publicitária Giovana Berti Previdi. 

Como funciona? 

O grupo criou o cartaz FUI ASSALTADO AQUI e os afixou em lugares onde foram vitimados. Quem foi vítima nestes mesmos lugares pode assinar seu nome no cartaz. Quem quiser marcar (ou seja, taguear) outros locais onde foi assaltado ou furtado, basta fazer o download do cartaz, imprimir e colar.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Pesquisa liga crack a 72,5% dos moradores de rua de Porto Alegre


Estudo mostra que 39% dos jovens e adolescentes em situação de risco na Capital usam a droga por 20 ou mais dias ao mês

Humberto Trezzi, do ZH

Drogas pesadas, sexo sem camisinha e assaltos estão incorporados ao dia a dia dos jovens e adolescentes que perambulam pelas ruas das grandes cidades gaúchas. Muito mais até do que se supõe no pior pesadelo.

Pesquisa realizada ao longo de dois anos com 204 jovens que passam a maior parte do tempo nas avenidas de Porto Alegre e 103 nas de Rio Grande mostra que praticamente todos já consumiram bebida alcoólica. Na Capital, 72% provaram crack e 39% fazem uso diário ou quase diário (mais de 20 dias) da droga.

A pesquisa foi coordenada pelo doutor em psicologia Lucas Neiva-Silva, com participação da ONG Centro de Estudos de DST-Aids do Rio Grande do Sul e do Centro de Estudos Psicológicos de Meninos e Meninas em Situação de Rua vinculados à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e à Universidade Federal do Rio Grande (Furg). O estudo tem apoio do Ministério da Saúde.

Os dados foram revelados ontem, em palestra de Neiva-Silva em seminário do Fórum Metropolitano de Situação de Rua, integrado por representantes de prefeituras da Grande Porto Alegre. A pesquisa foi baseada em entrevistas feitas com adolescentes de rua entre 20 de dezembro de 2007 e 31 de dezembro de 2009. A média dos entrevistados é de 17 anos em Porto Alegre e 14 anos em Rio Grande. Mais de 80% dos pesquisados são do sexo masculino.

Com drogas, mais assaltos e promiscuidade nas relações

As revelações que surgem do questionário são mais alarmantes que o esperado, admite o coordenador da pesquisa. As piores estão relacionadas ao crack. Dos porto-alegrenses entrevistados e que usaram crack, 58,8% se tornaram usuários diários. Só 29,8% conseguiram interromper o hábito, mesmo que temporariamente.

O uso de drogas agravou a situação de adolescentes que já costumam estar em risco. Dos porto-alegrenses entrevistados, 43,6% admitiram ter assaltado após consumir drogas E 39% tiveram relação sexual sem camisinha. Ainda em Porto Alegre, 27% fizeram sexo por dinheiro – e, desses, 89,1% usaram crack.

Família faz a diferença

Além do crack, há problemas relacionados a outras drogas. Dos moradores de rua entrevistados, admitiram ter experimentado maconha 80,9% dos que circulam por Porto Alegre e 37,9% dos que vivem em Rio Grande. O consumo diário de cigarros foi admitido por 70,6% dos porto-alegrenses. Entre os riograndinos, 94,2% disseram ter consumido álcool.

Chama a atenção que problemas relacionados à droga ou ao descuido nos atos sexuais são muito maiores nos adolescentes pesquisados na Capital do que nos de Rio Grande. Em Porto Alegre, apenas 27,1% moram com a família – embora passem o dia nas ruas – 97,1% dos entrevistados em Rio Grande.

– Convívio com a família faz a diferença. Para melhor – diz Neiva-Silva, coordenador da pesquisa.

"Não dê esmolas, dê camisinhas"

Tapar o olho não adianta, apontam os envolvidos no estudo sobre meninos e meninas em situação de rua. Pregações moralistas, apenas, também não. Então é necessário distribuir preservativos para os adolescentes em risco, já que relações sexuais eles têm igual.

“E, de preferência, com pouca burocracia”, sustenta o estudo. É comum os adolescentes relatarem que não buscam preservativos em centros de saúde porque têm de preencher formulários – grande parte não sabe escrever adequadamente – ou apresentar documentos (que muitos simplesmente não têm). Com relação à população, é sugerida uma campanha com o slogan “Não dê esmola, dê camisinha!”

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Pelo menos 75% dos homicídios cometidos em Porto Alegre continuam à espera de solução


O baixo percentual de indiciamentos preocupa os promotores de Justiça, que cobram mais ações na área de segurança pública

José Luís Costa - do Zero Hora

Alarmante levantamento divulgado pelo Ministério Público revela que, dos 1.095 inquéritos envolvendo assassinatos, tentativas de homicídio e suicídio investigados em 2009 em Porto Alegre, a Polícia Civil apontou a autoria dos crimes em apenas 272 casos.

A mais recente estatística sobre a eficiência da Polícia Civil em Porto Alegre revela números alarmantes. Em três de cada quatro assassinatos e tentativas de assassinatos na Capital, investigados em 2009, o autor não foi identificado pela Delegacia de Homicídios e Desaparecidos (DHD).

Os números significam que, se depender da corporação, 75% desses criminosos ficarão à solta, alimentando a sensação de impunidade e de descrédito nas instituições de segurança pública.

Em média, 350 pessoas são assassinadas a cada ano em Porto Alegre. Deficiências de pessoal e de equipamentos e o silêncio de testemunhas são apontados como as principais razões para o insucesso policial na elucidação de crimes contra a vida. Em maio de 2008, ao analisar a situação de precariedade da DHD, o delegado Juliano Ferreira advertiu:

– É uma bomba que vai estourar em dois anos se nada for feito.

O policial se referia à falta de recursos humanos e materiais que provocava um acúmulo gigantesco de inquéritos à espera de investigação. No ano passado, a Polícia Civil organizou dois mutirões para esclarecer crimes ocorridos em sua maioria em 2007 e 2008, e remeteu a documentação para a Justiça, limpando os armários da DHD.

Baixo percentual de indiciamentos deixa promotores aflitos e revoltados

A bomba estourou sobre as Torres Gêmeas, a sede do Ministério Público estadual. Um levantamento constatou que 1.095 inquéritos (entre homicídios, tentativas de homicídios e suicídios) estavam sobre as mesas dos promotores. Em 823 deles, no espaço destinado ao nome do suspeito do crime na capa do inquérito, a polícia escreveu no máximo duas palavras: “prejudicado” ou “sem indiciamento”.

A inexistência de um indiciado deixa o MP praticamente de mãos amarradas para oferecer denúncia, inviabilizando que o criminoso seja julgado e punido. O clima é de aflição e revolta entres promotores, afogados em meios a pilhas de papéis.

– A violência tende a aumentar. As pessoas vão se sentir estimuladas a agir de novo – lamenta a promotora de Justiça Lúcia Helena de Lima Callegari.

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