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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Homicídio de mulheres cresce no Nordeste e cai no Sudeste, diz estudo

Espírito Santo tem maior taxa de mortes para cada 100 mil habitantes, enquanto Roraima tem a menor.

Do Estadão

A taxa de mulheres assassinadas para cada 100 mil habitantes subiu 59,6% na região Nordeste entre 1998 e 2008, enquanto caiu 30,2% no Sudeste no mesmo período, segundo aponta a pesquisa Mapa da Violência, realizada pelo instituto Sangari.

De acordo com o estudo, publicado pelo Ministério da Justiça, a região Sul teve um aumento de 24,7% na taxa, enquanto o Norte teve alta de 16,9% e o Centro-Oeste, de 1%.

A taxa de mulheres assassinadas em todo o Brasil caiu um ponto percentual em dez anos, passando de 4,3 para cada 100 mil habitantes em 1998 para 4,2 em 2008.

Em números absolutos, houve um aumento nos homicídios de mulheres no Brasil neste período, passando de 3.503 em 1998 para 4.023 em 2008. Em todo este período, foram mortas 41.968 mulheres no país.

O Espírito Santo manteve a posição de Estado brasileiro com maior taxa de homicídios de mulheres para cada 100 mil habitantes: em 2008, a relação ficou em 10,9, contra 11,3 em 1998.

Em segundo lugar, fica Roraima, com 7,7 mulheres mortas para cada 100 mil habitantes em 2008 (em 1998, a taxa era de 9,5).

Roraima é o Estado com menor taxa de mulheres assassinadas, com 2,5 mulheres mortas para cada 100 mil habitantes. Mesmo assim, a taxa apresenta aumento em relação à verificada em 1998, que era de 1,4.

Segundo a pesquisa, o município de Escada (PE) é o que apresenta a maior taxa de homicídios de mulheres no Brasil, com 25,2 mulheres mortas para cada 100 mil habitantes.

O estudo aponta ainda que as armas de fogo são o principal meio utilizado nos homicídios de mulheres no Brasil, sendo usadas em 50,9% dos casos. Em seguida, aparecem os objetos cortantes ou penetrantes (24,6%).

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Violência Contra Mulheres e Meninas: Brasil é 12º colocado no ranking mundial de homicídios

Por Cecília Olliveira
Especial para o PRVL

A cada 2 horas uma mulher é morta no Brasil. Em dez anos (de 1997 a 2007), 41.532 meninas e adultas foram assassinadas, segundo o Mapa da Violência 2010, estudo dos homicídios feito com base nos dados do SUS. Estes números colocam o Brasil no triste patamar de 12º colocado no ranking mundial de homicídios de mulheres.

Dados divulgados pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, das chamadas do Disque-Denúncia, mostram que as ligações passaram de 46 mil em 2006 para 401 mil em 2009. Só no primeiro trimestre deste ano foram registrados 145,9 mil chamados, um aumento de 65% no número de denúncias.

Apesar do cenário não se mostrar favorável, a perspectiva de mudança ainda existe. “Em razão do fortalecimento do movimento feminista e do aumento dos serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência. Esses fatores associados se constituem em possibilidades de mudança positiva”, afirma a Coordenadora da Área de Violência do UNIFEM Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher – parte da ONU Mulheres), Verônica dos Anjos.

Um ponto final

É diante deste quadro que a campanha Ponto Final na Violência Contra Mulheres e Meninas divulgou nota pública de alerta à sociedade. O objetivo é convidar a todos, para que se mobilizem para que nenhum caso fique sem punição.

“A Campanha Ponto Final busca contribuir para a geração de uma posição coletiva contra esta forma de violência, atuando no fortalecimento de respostas institucionais mais amplas no sentido da prevenção”, diz Renata Teixeira Jardim, da coordenação da Campanha. Ela explica ainda que “a eliminação da aceitação social da violência contra as mulheres é um desafio para a sociedade contemporânea, que convive cotidianamente com essas manifestações”.

Silêncio, omissão e tolerância não podem mais ter espaço. “O movimento de mulheres identifica, há quatro décadas, que a banalização dos fatos, os torna eventos naturais nas relações sociais. Faz parte do comportamento humano, portanto, aceitável”, explica a nota, que foi elaborada pela Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos.

“Muito pode e deve ser feito. É muito importante tornar a violência contra mulheres visível, ou seja, publicizar sua ocorrência de maneira que deixe de ser ‘aceita’ como uma forma de controle sobre as mulheres, permitida aos homens. Portanto, uma iniciativa relevante para a redução dessa forma de violência seria, além de outras, a ampliação massiva do conhecimento e do debate sobre o tema”, lembra Verônica dos Anjos.

A Campanha Ponto Final na Violência Contra Mulheres e Meninas não é uma iniciativa pontual. Ela faz parte de um conjunto de ações que abrangem a América Latina e Caribe e que integram um diálogo mundial acerca da violência de gênero, coordenado aqui pela Rede de Saúde das Mulheres Latinoamericanas e do Caribe. A Unifem também tem uma vertente de cuidado especifico para mulheres e meninas, em desenvolvimento nos cinco países que estão sob a coordenação do Escritório Unifem Brasil e Cone Sul, a saber: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile.

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