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domingo, 14 de julho de 2013

Taxa de homicídios de negros cresce 9% em cinco anos



Fonte: Rondônia Vip
Rio de Janeiro – Favela Danon, município de Nova Iguaçu, 20 de junho de 2011, Baixada Fluminense. O menino Juan Moraes voltava para casa sem imaginar que aqueles seriam os últimos momentos de sua vida. O que aconteceu no instante em que foi morto é nebuloso e ainda não foi totalmente esclarecido, pois o caso ainda será julgado pelo Tribunal do Júri.

Denúncia do Ministério Público (MP), no entanto, relata que Juan, um menino negro, de 11 anos de idade, foi morto por policiais militares, que faziam uma operação na favela. De acordo com o MP, os policiais atiraram na criança, pensando que ele era um traficante de drogas. Ao perceber que tinham matado um menino desarmado, os policiais tentaram ocultar o crime escondendo o corpo.

O crime, talvez, nunca tivesse a autoria identificada se um irmão de Juan, ferido na ação, não sobrevivesse. Foi ele quem relatou o desaparecimento do irmão e a tentativa dos policiais em sumir com o corpo. Juan foi um dos 35.207 cidadãos negros assassinados no país em 2011, segundo levantamento feito pela Agência Brasil com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde

Cruzando as informações do ministério com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), verifica-se que, em 2011, a taxa de homicídios dessa população foi 35,2 por 100 mil habitantes, taxa 9% acima do que a observada cinco anos antes, quando foram registrados 29.925 casos, ou seja, 32,4 por 100 mil habitantes.

Ao mesmo tempo em que negros ficaram mais vulneráveis à violência nesses cinco anos, a taxa de homicídios da população branca caiu 13%, ao passar de 17,1 por 100 mil habitantes em 2006 (15.753 em número absoluto) para 14,9 por mil em 2011 (13.895 casos).

O dado reflete a grande disparidade racial que existe no Brasil, quando se trata de vítimas de assassinatos. Com o aumento dos homicídios entre a população negra, a probabilidade de um preto ou pardo ser vítima de assassinato no país passou a ser 2,4 vezes maior do que a de um branco. Em 2006, a proporção era 1,9.

Mãe de um jovem negro executado em 2006 por um grupo de extermínio, na Baixada Santista, em São Paulo, Débora Maria da Silva não vê uma melhora na situação no país. O gari Edson Rogério Silva dos Santos foi morto a tiros em maio de 2006, durante uma onda de ataques no estado de São Paulo, quando saía para comprar remédio.

Para a mãe de Edson, os negros são as maiores vítimas, porque moram nas áreas mais pobres da cidade. Segundo ela, o Estado ainda mantém uma postura racista, mesmo 125 anos após a abolição da escravatura no país.

“Temos que acabar com isso. Não vivemos mais no tempo da escravatura, que se tem coronéis, capitães-do-mato e sinhozinhos. Apesar de permanecerem as senzalas, que são as periferias, e os porões dos navios negreiros, que são os presídios”, disse Débora, que lidera um movimento por justiça para os assassinatos de maio de 2006.

Para o coordenador da organização não governamental (ONG) Observatório das Favelas, Jaílson de Souza, o aumento da taxa de homicídios de negros tem relação com a mudança geográfica dos assassinatos no país. Nos últimos anos, enquanto o Sul e o Sudeste têm vivenciado a redução das taxas de homicídios, o Norte e Nordeste têm visto um aumento da violência.

Esses estados, segundo Souza, são os que concentram as maiores populações de pretos e pardos. “Quando essa geografia da morte muda, e há mais violência no Norte e Nordeste, essa mudança acaba por gerar mais morte de negros, sejam pardos ou pretos. Em Alagoas, por exemplo, há um branco para cada 20 negros”, disse.

Dos cinco estados onde o assassinato de negros mais cresceu, quatro são do Nordeste e um no Norte. O Rio Grande do Norte teve um crescimento de 2,7 vezes na taxa de homicídios, ao passar de 16,1 por 100 mil habitantes, em 2006, para 43,6 por 100 mil, em 2011. Na Paraíba, a taxa dobrou, de 30,1 para 60,3 por 100 mil.

Entre os outros estados onde o crescimento foi grande entre 2006 e 2011, estão Alagoas (de 53,9 para 90,5 por 100 mil habitantes), o Amazonas (de 22,3 para 42 por 100 mil) e Ceará (de 17,8 para 29 por 100 mil).

Para Jaílson de Souza, o crescimento econômico do país, sem uma mudança da estrutura social, também contribui para o incremento da violência entre as populações mais vulneráveis. “Nosso desafio é reconhecer que não basta o crescimento econômico, tem que ter uma política que leve em conta o racismo, que é um elemento estrutural da desigualdade brasileira.”

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Assassinatos entre jovens crescem 375,9% em 30 anos, aponta pesquisa


Alagoas e ES lideram taxa de homicídios entre crianças e jovens em 2010.
Mapa da Violência, divulgado nesta quarta, usa dados do governo federal.

Do G1, em São Paulo

A taxa de homicídios entre crianças e jovens com idades entre 1 e 19 anos cresceu 375,9% nas últimas três décadas, segundo o Mapa da Violência 2012- Crianças e Adolescentes do Brasil, divulgado nesta quarta-feira pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela) com base em dados do Ministério da Saúde. (veja a íntegra do estudo em PDF).

O levantamento compara os números de 1980 com os de 2010 e aponta que, atualmente, os assassinatos possuem o maior peso dentre os fatores externos que provocam as mortes de jovens no país. Em 2010, os fatores externos (assassinatos, acidentes, suicídios) representavam 26,5% das mortes nessa faixa etária – em 1980 eram apenas 6,7% do total.

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Dentre os fatores externos em 2010, os assassinatos tiveram o maior peso nas mortes: representaram 43,3% do total. Os acidentes de transporte representaram outros 27,2%.

Isoladamente, homicídios de crianças e adolescentes foram responsáveis por 22,5% das mortes dentre a faixa etária no país naquele ano, aponta o levantamento.

A comparação aponta que as mortes cresceram ainda mais na última década. Enquanto que, em 2000, a taxa de assassinatos dentre as crianças chegava a 11,9 por mil pessoas entre 1 e 19 anos, em 2010 a taxa chegou a 13,8. Segundo o censo do IBGE daquele ano, crianças e adolescentes representavam 31,3% da população.

Entre os estados, Alagoas e Espírito Santo lideram em 2010 a taxa de assassinatos de jovens: 34,8 e 33,8 para cada 100 mil, respectivamente. Já São Paulo e Piauí são os que melhor protegem suas crianças e adolescentes dos crimes, com taxas de 5,4 e 3,6 pro 100 mil, respectivamente, apontam os números.

Em comparação com o ano 2000, porém, Bahia e Pará foram os estados que apresentaram maior crescimento da taxa de assassinatos em 2010, com aumento de 576,7% e 351,3%, respectivamente.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Brasil lidera ranking com o maior número de homicídios no continente. Proporcionalmente, é o 3°


O Brasil é o país com maior índice de homicídios dolosos do continente americano, à frente de Colômbia, México e Estados Unidos, revela o Observatório de Segurança da OEA em seu relatório sobre o crime no hemisfério, publicado nesta sexta-feira (03/02) na capital mexicana.

O órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA) destaca que em toda a região ocorreram 154.836 homicídios em 2010, com média diária de 424 registros ou 17 a cada hora. Deste total, 75% foram cometidos com armas de fogo.

O Brasil lidera os casos de homicídio doloso, com 40.974 assassinatos em 2010 para uma população de 190 milhões de habitantes.

Em segundo lugar aparece a Colômbia, com 29.324 homicídios para uma população de 46 milhões de habitantes; seguida por México, com 20.585 entre 112 milhões, e Estados Unidos, com 14.159 assassinatos para uma população de 308 milhões.

A Venezuela aparece na quinta posição no ranking de assassinatos, mas suas cifras correspondem ao ano de 2009, quando ocorreram 13.986 homicídios dolosos em uma população de 27 milhões de habitantes.

Os dados foram entregues durante a reunião hemisférica de autoridades judiciais convocada pela OEA para analisar a ameaça do crime organizado no continente, considerada a região mais violenta do planeta.

Por France Presse

Observação do Blog: Proporcionalmente temos : 1º lugar Colômbia (1 em cada 1.568 habitantes assassinado); 2º Venezuela (1 em cada 1.931); 3º Brasil (1 em cada 4.637); 4º Mexico (1 em cada 5.440) e Estados Unidos (1 em cada 21.753 habitantes)

domingo, 4 de março de 2012

MG: Lista de municípios sem crime não condiz com a realidade

Cidades que aparecem no mapa das 173 sem qualquer violência tiveram de estupros a assassinatos. Governo tirou texto da internet e disse que houve erro na divulgação de dados.

Violência. Segundo o governo, em 2011, MG registrou elevação de 16,3% no número de assassinatos; na capital, o aumento foi de 22,1% - Foto: Alex de Jesus

A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) divulgou uma lista com 173 cidades que não registraram qualquer tipo de crime em 2011. Porém, um levantamento feito pela reportagem de O TEMPO junto aos batalhões da Polícia Militar de dez dos municípios citados no relatório do governo mostrou que, ao contrário do que foi informado, houve, sim, registro de homicídios e outros crimes em 2011.

Bambuí, na região Centro-Oeste de Minas, aparece como reduto de paz no levantamento do Estado, mas, uma ocorrência, de 1º de fevereiro de 2011, aponta que a cidade foi palco de um duplo homicídio. Dois rapazes mataram dois idosos, de 68 e 72 anos, a facadas - não se sabe a motivação do crime. Em Belo Vale, na região Central, o policial militar Waley Fernandes também confirmou o registro de crimes. "Tivemos vários casos de homicídios e estupros em 2011, só não sei quantos exatamente. Mas foram vários".


Taxa de homicídios para grupos de 100 mil habitantes
em cidades com mais de 100 pessoas - Clique para ampliar




Botumirim, no Norte de Minas, foi outra cidade divulgada pelo Estado como sendo o "paraíso" da segurança. Mas, entre outros casos, ela teve um adolescente de 16 anos assassinado a tiros em um bar, em julho do ano passado. Os crimes em outros municípios como Alto do Jequitibá, Ewbank da Câmara, Felisburgo, Soledade de Minas, Sapucaí-Mirim, Santo Antônio do Jacinto, Pocrane e São Pedro do Suaçuí também não haviam sido contabilizados pelo governo.

Problema. A lista foi divulgada na última quarta-feira. Ontem, após a reportagem de O TEMPO começar a fazer contato com as cidades, o governo retirou a lista do ar e, minutos depois, disponibilizou um novo arquivo. Na nova lista, no entanto, o número de municípios sem registro de crimes caiu para 91, e as cidades procuradas haviam sido retiradas, com exceção de Belo Vale. A secretaria informou que houve um erro na geração da lista e 82 locais foram incluídos por engano.

Nas últimas duas semanas, a reportagem vem mostrando denúncias de omissão e maquiagem de dados de crimes violentos por parte do Estado. Em todas as ocasiões, o governo justificava os 13 meses que ficou sem divulgar os números como necessidade de cuidado na compilação dos dados.

Na avaliação do sociólogo Robson Sávio, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), essa é uma demonstração grave de falta de controle por parte do Estado. "Ou o governo é incapaz de produzir uma estatística real ou está maquiando os dados. Os dois casos evidenciam um problema de governabilidade da secretaria (Seds)".


Barbacena
"A culpa é dos passionais"

A cidade de Barbacena, no Campo das Vertentes, foi a mineira que apresentou o maior índice de elevação de homicídios entre 2010 e 2011. A Polícia Militar no município associa a elevação das estatísticas em quase 200% aos crimes passionais.

A taxa de homicídios no município passou de três para cada grupo de 100 mil habitantes em 2010, para nove, em 2011, um crescimento de 198%. De acordo com o major Ângelo de Pádua, da 13º região da Polícia Militar de Barbacena, esse aumento se deve aos crimes passionais que ocorreram na cidade no ano passado.

"Neste ano, devemos voltar com a tendência de queda. Várias medidas já estão sendo tomadas, como o programa Polícia de Família, implantado no fim do ano, e o treinamento de policiais para enfrentamento ao tráfico", explicou Pádua. Em janeiro e fevereiro deste ano, a cidade registrou dois homicídios, o mesmo número do início do ano passado.

Superficial. A justificativa da polícia de Barbacena difere daquela dada pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), de que o aumento da violência em Minas Gerais está ligado ao tráfico de drogas.

Nos dois casos, o diagnóstico foi criticado por especialistas em violência. Guaracy Mingardi, ex-subsecretário nacional de segurança pública, afirmou que era preciso fazer um levantamento mais detalhado dos crimes antes de se chegar a uma causa tão específica como a dada pelas autoridades. Só assim, segundo ele, seria possível apontar soluções eficazes para o problema.

"É preciso um banco de dados funcional, que faça a ligação entre os crimes", afirmou. (JS)

Fonte: O Tempo, Por Joana Suarez

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Taxa de homicídios cresce 32% em 15 anos no país, aponta IBGE

Dados são da publicação Indicadores de Desenvolvimento Sustentável. Mortes atingiram, em média, 10 vezes mais os homens do que as mulheres.

Do G1, em São Paulo

A taxa de homicídios no país cresceu 32% em 15 anos, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (1) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da publicação Indicadores de Desenvolvimento Sustentável de 2010.

Segundo o estudo, a taxa de mortes por homicídio no país aumentou de 19,2 em 1992 para 25,4 em 2007 a cada 100 mil habitantes, alta de 32%. Os dados são do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, segundo o IBGE.

Taxas homcídios IBGE
(clique na imagem para vê-la aumentada)



As mortes por homicídios atingiram, em média, 10 vezes mais os homens do que as mulheres no período, diz o relatório. Só em 2007, o índice era de 47,7 para eles e de 3,9 para elas, uma proporção, nesse caso, 12 vezes maior. Em 1992, era de 35,6 para os homens e de 3,2 para as mulheres.

Segundo estudo, o coeficiente geral de mortes, que cresceu de 1992 a 2003, apresenta uma tendência de queda a partir de 2004 (veja histórico completo no gráfico acima).
saiba mais

Por estado

O estado de Alagoas tinha, em 2007, a maior taxa de homicídios do país, que era de 59,5 por 100 mil habitantes, seguido do Espírito Santo, com 53,3, e de Pernambuco, com taxa de 53. O estado do Rio de Janeiro ocupava o quarto lugar, com coeficiente de 41,5 a cada 100 mil habitantes, e também caiu em relação a 2004, quando era de 50,8.

As menores taxas estavam, em 2007, em Santa Catarina (10,4), Piauí (12,4) e São Paulo (15,4). De modo geral, o menor índice está na Região Sul do país (21,4) e o maior, na Nordeste (29,6).

Segundo o relatório do IBGE, os óbitos por homicídios afetam a esperança de vida, que não é superior devido às mortes prematuras, sobretudo de jovens do sexo masculino. A criminalidade ocasiona, ainda segundo a pesquisa, grandes custos sociais e econômicos. Além das vidas perdidas, gera sequelas emocionais às famílias das vítimas, elevados custos hospitalares e
para o controle da violência, e insegurança na população, interferindo negativamente na qualidade de vida.

Mortes por acidentes

O índice de mortes por acidentes de transportes também é visto com preocupação no relatório e era, em 2007, de 20,3 por 100 mil habitantes, diz a pesquisa, alta de 11% em relação a 1992, quando era de 18,3 (incremento absoluto de dois óbitos por 100 mil habitantes no período).

Em 2007, os maiores valores eram observados nas regiões Centro-Oeste (27,4 por 100 mil habitantes) e Sul (26,2). A taxa mais alta era observada em Roraima (33,7) e em Santa Catarina (32,7).

Assim como nas mortes por homicídio, a proporção de óbitos por acidentes de trânsito é maior nos homens, atingindo a taxa de 33,8 para eles de 7,2 para elas em 2007.

Segundo o relatório, os acidentes de transporte, por serem um dos fatores que ameaçam a
segurança física dos cidadãos, refletem na qualidade de vida da população, que é um dos aspectos essenciais na busca do desenvolvimento sustentável.

O estudo diz, ainda, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera os acidentes de transporte como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo, especialmente nos países em desenvolvimento, uma consequência da acelerada urbanização e motorização, que não é acompanhada na mesma proporção de infraestrutura.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Violência Contra Mulheres e Meninas: Brasil é 12º colocado no ranking mundial de homicídios

Por Cecília Olliveira
Especial para o PRVL

A cada 2 horas uma mulher é morta no Brasil. Em dez anos (de 1997 a 2007), 41.532 meninas e adultas foram assassinadas, segundo o Mapa da Violência 2010, estudo dos homicídios feito com base nos dados do SUS. Estes números colocam o Brasil no triste patamar de 12º colocado no ranking mundial de homicídios de mulheres.

Dados divulgados pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, das chamadas do Disque-Denúncia, mostram que as ligações passaram de 46 mil em 2006 para 401 mil em 2009. Só no primeiro trimestre deste ano foram registrados 145,9 mil chamados, um aumento de 65% no número de denúncias.

Apesar do cenário não se mostrar favorável, a perspectiva de mudança ainda existe. “Em razão do fortalecimento do movimento feminista e do aumento dos serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência. Esses fatores associados se constituem em possibilidades de mudança positiva”, afirma a Coordenadora da Área de Violência do UNIFEM Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher – parte da ONU Mulheres), Verônica dos Anjos.

Um ponto final

É diante deste quadro que a campanha Ponto Final na Violência Contra Mulheres e Meninas divulgou nota pública de alerta à sociedade. O objetivo é convidar a todos, para que se mobilizem para que nenhum caso fique sem punição.

“A Campanha Ponto Final busca contribuir para a geração de uma posição coletiva contra esta forma de violência, atuando no fortalecimento de respostas institucionais mais amplas no sentido da prevenção”, diz Renata Teixeira Jardim, da coordenação da Campanha. Ela explica ainda que “a eliminação da aceitação social da violência contra as mulheres é um desafio para a sociedade contemporânea, que convive cotidianamente com essas manifestações”.

Silêncio, omissão e tolerância não podem mais ter espaço. “O movimento de mulheres identifica, há quatro décadas, que a banalização dos fatos, os torna eventos naturais nas relações sociais. Faz parte do comportamento humano, portanto, aceitável”, explica a nota, que foi elaborada pela Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos.

“Muito pode e deve ser feito. É muito importante tornar a violência contra mulheres visível, ou seja, publicizar sua ocorrência de maneira que deixe de ser ‘aceita’ como uma forma de controle sobre as mulheres, permitida aos homens. Portanto, uma iniciativa relevante para a redução dessa forma de violência seria, além de outras, a ampliação massiva do conhecimento e do debate sobre o tema”, lembra Verônica dos Anjos.

A Campanha Ponto Final na Violência Contra Mulheres e Meninas não é uma iniciativa pontual. Ela faz parte de um conjunto de ações que abrangem a América Latina e Caribe e que integram um diálogo mundial acerca da violência de gênero, coordenado aqui pela Rede de Saúde das Mulheres Latinoamericanas e do Caribe. A Unifem também tem uma vertente de cuidado especifico para mulheres e meninas, em desenvolvimento nos cinco países que estão sob a coordenação do Escritório Unifem Brasil e Cone Sul, a saber: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Apontado como campeão de homicídios, Brás tem até código antifurto


Afonso Benites - da Folha

Um posto de combustíveis assaltado 12 vezes em um ano. Moradores que precisam identificar seus veículos para que não sejam furtados. Mães choram assassinatos. As três situações foram encontradas pela Folha no Brás, apontado por um estudo do Hospital Universitário da USP como o bairro mais violento de São Paulo.

Nos últimos três anos, o tradicional bairro da região central ficou com a maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes da cidade --140--, o que o coloca no topo do ranking das mortes violentas, conforme um levantamento realizado pelos médicos Paulo Lotufo e Isabela Bensenor, do HU da USP.

A pesquisa se baseou em dados do Programa de Aprimoramento de Informações de Mortalidade da prefeitura e levou em conta o local de moradia das principais vítimas --homens de 15 a 44 anos.

Conhecido pelo intenso comércio e por reunir diversas moradias temporárias, o Brás superou regiões que na década de 1990 eram as mais violentas, como Jardim Ângela e Capão Redondo, bairros localizados no extremo sul da cidade (veja tabela abaixo).

Para policiais que atuam na região, o alto fluxo de pessoas e o reduzido investimento no combate aos homicídios no bairro justificam a mudança.

Crime na rua

Pelas ruas do Brás é comum ouvir relatos de assaltos, furtos e assassinatos. O frentista de um posto do bairro diz que já se acostumou a ser vítima de assaltos a mão armada --foram 12, só no ano passado, nem todos registrados na polícia. "Já estou calejado, mas, mesmo assim, tenho medo", relatou.

Recentemente, os moradores adotaram um código imposto por criminosos. Quem não quiser ter seu carro furtado deve levantar o limpador de para-brisas. "Assim, eles [ladrões] sabem quem é morador e quem é visita. [Nos carros] Dos moradores ninguém faz nada. Mas, se é de fora, pode perder o toca-fitas ou o carro", diz um lojista.

Apesar dos assaltos e furtos, o que está mais vivo na mente dos moradores é o assassinato de dois jovens no meio da rua. "Era para matar uma outra pessoa, que tinha relação com drogas. Mas confundiram com meu filho, que era um trabalhador", disse uma das mães.

Taxa de homicídios por 100 mil habitantes entre homens de 15 a 44 anos

Comparação entre 1996-1998 e 2007-2009

1996-98

2007-09

Brasilândia

330

Brás

140

Jardim Ângela

304

Brasilândia

100

Guaianases

274

Belém

97

Capão Redondo

241

Jardim São Luís

96

Cidade Tiradentes

240

Jardim Ângela

94

Jardim São Luís

238

Parque do Carmo

92

Cachoeirinha

233

República

91

Grajaú

231

Limão

85

Iguatemi

228

Perus

85

Cidade Dutra

225

Cachoeirinha

85

Parelheiros

223

Socorro

85

Cidade Ademar

220

Pari

80

Lajeado

214

Iguatemi

79

Vila Curuçá

203

Jaguaré

79

Jardim Helena

197

São Miguel

79

São Miguel

195

Cambuci

79

Jabaquara

194

Vila Andrade

77

São Mateus

192

Capão Redondo

77

São Rafael

184

Morumbi

76

Morumbi

178

Jaraguá

75

Itaquera

177

Marsilac

73

Sé

175

Freguesia do Ó

72

Sacomã

174

Cidade Ademar

71

Itaim Paulista

174

Parelheiros

71

Sapopemba

168

Bom Retiro

70

Vila Andrade

165

Cangaíba

68

Pari

161

Santa Cecília

67

Campo Limpo

158

São Mateus

67

Limão

155

Campo Limpo

66

Brás

153

Tremembé

66

Rio Pequeno

152

Anhangüera

64

Pedreira

151

Sé

64

Pirituba

150

Jaçanã

64

Parque do Carmo

146

Vila Matilde

64

Cidade Líder

145

Cidade Dutra

63

Perus

144

Itaquera

63

Vila Jacuí

143

Grajaú

63

Cursino

141

Ponte Rasa

63

Campo Grande

140

Guaianases

63

Jaçanã

140

Vila Maria

61

Raposo Tavares

140

Itaim Paulista

61

Ipiranga

137

Artur Alvim

61

Artur Alvim

135

Cidade Tiradentes

60

Vila Prudente

133

Vila Medeiros

57

Ermelino Matarazzo

128

Água Rasa

57

Casa Verde

125

Ipiranga

56

Socorro

120

Sapopemba

54

Santo Amaro

118

Pirituba

53

José Bonifácio

118

Campo Grande

53

Vila Medeiros

118

Vila Prudente

53

Belém

118

Vila Sônia

53

Vila Maria

117

Sacomã

52

Jaraguá

116

Jabaquara

52

Campo Belo

115

Vila Formosa

52

Aricanduva

111

Cursino

51

Freguesia do Ó

110

Raposo Tavares

50

Vila Leopoldina

109

Cidade Líder

49

Jaguaré

108

Santo Amaro

48

Bom Retiro

108

Mandaqui

48

São Domingos

105

Vila Curuçá

48

Barra Funda

103

Vila Leopoldina

46

Ponte Rasa

103

São Lucas

46

Vila Sônia

98

Casa Verde

45

Cangaíba

95

Vila Guilherme

44

Tremembé

92

Pedreira

44

Penha

88

Penha

44

Itaim Bibi

88

Vila Jacuí

44

República

87

José Bonifácio

43

São Lucas

84

Tucuruvi

43

Carrão

84

Aricanduva

42

Vila Matilde

81

Campo Belo

42

Moóca

79

Rio Pequeno

41

Vila Guilherme

78

Lajeado

39

Mandaqui

78

Jardim Helena

39

Vila Formosa

78

São Domingos

39

Água Rasa

75

Barra Funda

38

Liberdade

70

Lapa

38

Tatuapé

69

Bela Vista

37

Butantã

69

São Rafael

36

Saúde

66

Liberdade

35

Santa Cecília

65

Moóca

35

Cambuci

64

Ermelino Matarazzo

32

Bela Vista

64

Jaguara

31

Anhangüera

61

Consolação

29

Jaguara

60

Pinheiros

29

Marsilac

58

Carrão

22

Tucuruvi

54

Tatuapé

21

Santana

52

Vila Mariana

21

Pinheiros

42

Santana

20

Vila Mariana

41

Saúde

20

Moema

40

Perdizes

15

Alto de Pinheiros

39

Butantã

13

Lapa

31

Itaim Bibi

11

Perdizes

27

Jardim Paulista

9

Consolação

25

Moema

8

Jardim Paulista

14

Alto de Pinheiros

4

Fonte: Pro-Aim e pesquisa elaborada pelos médicos Paulo Lotufo e Isabela Bensenor, do Hospital Universitário da USP




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