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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Contra a criminalidade: honestidade e educação

Por Cecília Olliveira

O video abaixo foi produzido pela Comissão de Valores Cívicos e Morais da República do Panamá, em referência a transparência no processo de escolha de juízes para a Suprema Corte.

É uma referência extremamente clara ao peso da educação e honestidade na formação das pessoas e o claro resultado que isso pode ter num futuro breve, caso tais direitos sejam sonegados.

A criança mal educada hoje, pode ser o infrator de amanhã. No caso relatado no vídeo, a mãe que chora a morte do filho, é a co-responsável por sua morte. Vale a pena refletir.


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Violência, Educação e Poder Público no RJ


Por Rosilene Miliotti - do Observatório de Favelas

Dados divulgados pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro sobre a Prova Rio mostram que a violência é um dos problemas que mais afeta o ensino na rede municipal. A Prova Rio é uma avaliação externa de português e matemática, aplicada a alunos do 3º e 7º anos do ensino fundamental e foi realizada em outubro de 2009.

A rede de ensino do município tem 1.063 escolas e entre as 50 com o pior desempenho, 14 estão localizadas em áreas consideradas de risco. Estas unidades de ensino fazem parte do projeto Escolas do Amanhã, criado três meses antes da prova para reforçar o ensino em 150 escolas situadas em favelas ou em suas proximidades.

Para a diretora da Redes de Desenvolvimento da Maré e professora da Universidade Federal Fluminense Eblin Farage, as informações sobre as escolas com baixo rendimento são insuficientes. “Se pensarmos que de um universo de 1.063 escolas da Rede Municipal, das 50 piores em rendimento, apenas 14 se encontram em área de ‘risco’, o número é baixo e não alto”, conclui.

Além disso, Eblin diz que existem diferentes formas de violência que acabam por produzir a violência armada. E que possivelmente as áreas em que se encontram as 14 escolas, são locais de baixo investimento público, com equipamentos de baixa qualidade e poucos recursos. “Se pensarmos que uma criança não tem o atendimento básico de saúde, uma alimentação adequada, reside em um local sem saneamento, sem transporte e sem lazer, já fica caracterizada uma forma de violência, que gera outras violências, como a dos grupos armados fardados e não fardados”, reflete.

Programa de educação na Maré
Ações integradas podem contribuir para melhorar a educação. Na Maré existem 15 escolas municipais. Em nove, o Programa Criança Petrobras atua em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e a Petrobras, beneficiando cerca de duas mil crianças.

O Programa Criança procura contribuir para a melhoria da qualidade da educação nas escolas da Maré através de atividades de complementação pedagógica, socioeducativas, de arte e educação e de participação comunitária.

Uma equipe de educadores, assistentes sociais, psicólogos, cientistas sociais e universitários trabalham com as famílias, professores, organizações locais e escolas em uma rede de apoio ao aprendizado dos alunos. Enquanto as atividades extracurriculares estimulam o raciocínio lógico e a capacidade de leitura e escrita, é possível também identificar os alunos em risco de deixar a escola ou com mais dificuldades de aprendizado, permitindo a intervenção preventiva, caso a caso, dos educadores e da equipe social.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Ensino e aprendizagem na penitenciária


Por Cecília Olliveira

“Chamamos o aluno pelo nome e sobrenome, pra reforçar a identidade. São pessoas”. A frase, da Coordenadora pedagógica da escola penitenciária Major Eldo Sá Correa, Creuza Ribeiro,t raduz bem oem que se baseia o ensino e aprendizagem na peninteciária.

“Tentamos trabalhar o mais próximo do currículo normal, pra que eles acompanhem o conteúdo e estejam aptos a acompanhar uma escola regular”, explica a coordenadora.

Um dos alunos, Emerson Almeida Salomão, valoriza a iniciativa. “Ter a oportunidade de estudar é muito valoroso. Quero fazer o Enem e faculdade de letras ou administração”, explica ele, que enaltece a iniciativa também pela preocupação além dos estudos. “Os professores se preocupam com a gente. Se faltamos, eles vão atrás saber o que aconteceu”, diz.

Gratidão

Lúcia Justino, professora de História, fala de seus alunos e ex-alunos e se mostra feliz com o progresso deles. “Educação é fundamental pra quando eles saírem daqui”, afirma. Ela conta sobre o depoimento de um aluno: “Professora, graças a vocês eu não tenho mais coragem de fazer coisa errada e não me sinto mais atraído pelo crime”. “Isso é maravilhoso”, relata com alegria a professora.


Veja o vídeo abaixo


terça-feira, 24 de novembro de 2009

Rio está entre melhores estados em renda e educação, mas entre os piores em saneamento e violência


O Globo



Os contrastes que pontuam o cotidiano do Rio de Janeiro aparecem com nitidez nas estatísticas. Estudo inédito feito com base nas informações da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad 2008) mostra que o terceiro maior estado do país exibe indicadores socioeconômicos díspares na comparação com as demais unidades da federação.

Ao mesmo tempo em que figura entre os primeiros do ranking em educação e renda, está muito mal posicionado no acesso a serviços básicos, como abastecimento de água e nos indicadores relacionados à violência urbana, revela reportagem de Regina Alvarez e Cássia Almeida publicada na edição do GLOBO desta segunda-feira.

A comparação, elaborada pela consultoria técnica da Confederação Nacional de Municípios (CMN), mostra que, em relação ao abastecimento de água - serviço básico e indicador essencial na aferição do nível de desenvolvimento regional -, o Rio aparece em 18º lugar no ranking dos estados, entre os dez piores índices de atendimento desses serviços no país. Dos 5,076 milhões de domicílios urbanos, 553,3 mil (10,9%) estão desassistidos neste quesito.

O Rio aparece no topo de um ranking que não é motivo de orgulho. Tem a terceira maior taxa bruta de mortalidade do país, com 7,35 mortes para cada 100 mil habitantes. Está atrás apenas de Pernambuco, o campeão em mortes (7,38 por cada 100 habitantes), e da Paraíba (7,36).

A análise das informações da Pnad relaciona esse indicador com baixas condições socioeconômicas, proporção de pessoas idosas na população, problemas no sistema de saúde e na prevenção de doenças e altos índices de mortalidade violenta - característica evidenciada no Rio por outras estatísticas. A média nacional de mortes por cada 100 mil habitantes é de 6,22 e o estado com o menor número é o Distrito Federal (4,33).

O empresário Ulrich Rosenzweig, de 85 anos, foi uma vítima da violência no Rio. Em 27 de maio de 2008, foi assassinado com um tiro no peito, no Centro do Rio. A bisneta acabara de nascer e as quatro filhas ainda estão reorganizando a vida depois da morte.

- Meu pai estava chegando no prédio, junto com o boy que viera do banco. Ele se assustou com o movimento em torno do funcionário e o assaltante atirou no peito do meu pai. Ele estava em plena atividade. Ele era o esteio de uma família de quatro filhas - afirma Evelyn Rosenzweig, filha do empresário.

Para o professor de Antropologia da UFF e coordenador do Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos, Roberto Kant de Lima, ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, o problema da violência no Rio e no país começa na desigualdade jurídica, que oferece privilégios para políticos, dirigentes sindicais, criando cidadãos inferiores e superiores já na legislação.

domingo, 22 de novembro de 2009

Relatoria para o Direito Humano à Educação lança Relatório sobre Educação nas Prisões Brasileiras

Por Cecília Olliveira
A Relatoria para o Direito Humano à Educação acaba lançou o Relatório sobre Educação nas Prisões Brasileiras. Além de conter a síntese das visitas realizadas nas unidades prisionais, o documento apresenta o contexto da educação no sistema prisional e um conjunto de recomendações bastante concretas ao Estado Brasileiro.
O relatório traz informações sobre as pessoas encarceradas, que como seres humanos, têm o direito humano à educação, conforme previsto nas normas internacionais e na legislação nacional.
Com o intuito de verificar a garantia do direito à educação nas prisões brasileiras, a Relatoria Nacional para o Direito Humano à Educação realizou missão entre outubro de 2008 e abril de 2009.
O trabalho se vincula à missão desenvolvida anteriormente pela ex-relatora de Educação, professora Edla Soares, e por sua assessora, professora Ednar Cavalcanti em 2008 sobre a situação da educação emunidades prisionais femininas do estado de Pernambuco.
A missão – realizada nos estados de Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal – visitou unidades prisionais, entrevistou diretores das unidades, profissionais de educação, pessoas encarceradas, ativistas desociedade civil e agentes penitenciários; participou de eventos sobre o tema da educação no sistema prisional e pesquisou documentos oficiais e estudos que tratam do assunto.
A missão tem o objetivo ainda de contribuir para o debate público sobre a apreciação urgente da proposta de Diretrizes Nacionais de Educação no Sistema Prisional pelo governo federal e dos projetos de lei daremição da pena por estudo que tramitam no Congresso Nacional.
A missão constatou que:
• a educação para pessoas encarceradas ainda é vista como um “privilégio” pelosistema prisional;
• a educação ainda é algo estranho ao sistema prisional. Muitos professores eprofessoras afirmam sentir a unidade prisional como uma ambiente hostil aotrabalho educacional;
• a educação se constitui, muitas vezes, em “moeda de troca” entre, de um lado,gestores e agentes prisionais e, do outro, encarcerados, visando a manutenção daordem disciplinar;
• há um conflito cotidiano entre a garantia do direito à educação e o modelo vigentede prisão, marcado pela superlotação, por violações múltiplas e cotidianas dedireitos e pelo superdimensionamento da segurança e de medidas disciplinares.
Quanto ao atendimento nas unidades:
• é descontínuo e atropelado pelas dinâmicas e lógicas da segurança. Oatendimento educacional é interrompido quando circulam boatos sobre apossibilidade de motins; na ocasião de revistas (blitz); como castigo ao conjuntodos presos e das presas que integram uma unidade na qual ocorreu uma rebelião,ficando à mercê do entendimento e da boa vontade de direções e agentespenitenciários;
• é muito inferior à demanda pelo acesso à educação, geralmente atingindo de 10%a 20% da população encarcerada nas unidades pesquisadas. As visitas àsunidades e os depoimentos coletados apontam a existência de listas de extensas e de um grande interesse pelo acesso à educação por parte das pessoasencarceradas;
• quando existente, em sua maior parte sofre de graves problemas de qualidadeapresentando jornadas reduzidas, falta de projeto pedagógico, materiais e infraestruturainadequados e falta de profissionais de educação capazes de responderàs necessidades educacionais dos encarcerados.
No relatório, seus organizadores explicam que entendem "ser obrigação do Estado brasileiro combater efetivamente todas as formas de impunidade de crimes cometidos contra a sociedade e contra o Estado". A Relatoria, atraves do documento, questiona o modelo de punição centrado predominantemente na ampliação do confinamento de seres humanos em unidades prisionais como resposta não somente ao alegado crescimento do crime organizado no Brasil e no mundo, mas ao aumento dos conflitos sociais e interpessoais decorrentes dasdesigualdades (econômicas, étnico-raciais, regionais, de gênero, de orientação sexual,etárias etc) e da falta de acesso a direitos básicos.
Parecer e Recomendações da Relatoria
A partir de uma análise detalhada sobre a situação da educação nas unidadesprisionais, a Relatoria Nacional para o Direito Humano à Educação apresenta um conjuntode 9 recomendações estruturais e 14 recomendações complementares comprometidasem garantir condições para a efetivação do direito humano à educação nas prisõesbrasileiras. São medidas concretas e factíveis que o Estado brasileiro pode assumir paracumprir a legislação nacional e o previsto nas normas internacionais dos quais ésignatário.
Informamos que este relatório será entregue às autoridades públicas federais eestaduais e divulgado junto às organizações e movimentos de educação e direitoshumanos e à opinião pública brasileira. O documento será encaminhado ao relatorespecial da ONU para o Direito Humano à Educação, Vernor Munhoz; ao Conselho deDireitos Humanos e ao Subcomitê de Prevenção da Tortura e outros Tratamentos Cruéis,Desumanos e Degradantes da ONU para conhecimento e a tomada de medidas cabíveis,conforme previsto nos instrumentos internacionais de direitos humanos.

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